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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Fazes hoje 5.475 dias na tua TL, parabéns!

26.09.18 | Paulo Brites

fishing day

Nikon D3200, 18-55mm @ 24mm, f/9, 1/250s, ISO 100

 

Com o surgimento das redes sociais o mundo transformou-se. A vida não pára! E eis que há uns anos atrás surgem, ou melhor, redefine-se o significado de alguns termos e palavras. Se são termos novos ou recentes? Não! Eles já existiam!

 

De entre eles, estão alguns como por exemplo “cronologia” ou “linha do tempo”. Nós humanos sempre fomos de gostar mais daquilo ou do outro (irrita-me este corretor ortográfico, quero escrever – nós humanos sempre fomos – e o corretor insiste em sugerir - eles humanos sempre foram - talvez uma prova que a informática criou vida própria! Irra que é demais …) mas voltando ao pensamento dos novos termos e, de entre esses dois, claramente que o termo adotado pelo facebook “cronologia” não é dos mais felizes. Dizem vocês, alguns, que estou errado. Até poderei estar! É uma questão de semântica! Mas pessoalmente gosto mais do termo que o twinter adotou! Sim TL, em português, linha do tempo.

 

Hoje faz 5.475 dias sobre um acontecimento marcante para mim. Um acontecimento feliz! São momentos que não se vivem muitas vezes. São únicos! Já tinha vivido há anos um igual, ou melhor, idêntico, porque nada é igual a nada! Nem um ou outro é melhor ou pior! São os dois momentos mais marcantes da minha vida.

 

Parabéns pelo teu dia e que nesta tua “time line” só coisas boas te aconteçam. Beijinhos e parabéns!

Altruísmo, egoísmo e outros “ísmos” do nosso dia-a-dia

25.09.18 | Paulo Brites

Street

Nikon D3200, 18-55mm @ 48mm, f/7.1, 1/160s, ISO 100

 

Altruísmo é um “termo e doutrina” que nasce após os complicados anos do primeiro quartel do século XIX. Havia necessidade de definir algumas formas de comportamento do ser humano. Já existia o “termo” egoísmo. E eis que alguém resolve criar uma doutrina que fosse antónimo de egoísmo. Claro que todo o conceito dessa doutrina já era uma característica de sempre dos seres humanos. Faz parte de muitos, felizmente.

 

Por ser uma palavra que soa bem, é bastante utilizada, por todos. No entanto, alguns têm dificuldade em prenunciar tal termo. Têm também dificuldade em expressar e praticar tais atos que identificam este palavrão.

 

O altruísmo vai muito para além de uma boa ação ou de uma opção de vida. É condição essencial para, além de se mudar o mundo, mudarmos a nós próprios e criar novos rumos aos rumos.

 

No seu sentido contrário vem o “egoísmo” e o “individualismo”. Todas a “correntes” existentes deveriam para além de ter nos seus princípios, a sua praticabilidade. No entanto é bem mais praticado o “egoísmo” e o “individualismo”. Não é necessariamente mau praticar o “egoísmo”. Para além de fazer parte da sobrevivência humana, também é necessário, para por exemplo, encontrar um equilíbrio. Quer seja no trabalho, no amor, ou mesmo no nosso bem-estar emocional. Todos nós deveríamos ter a capacidade de em dozes equivalentes, praticar o altruísmo e o egoísmo. Tal equilíbrio iria sem dúvida evitar muita “coisa” que por esta vida vamos vivendo.

 

Tal como o otimismo e o pessimismo deverão ser equilibrados, também o altruísmo e egoísmo o deverão ser. O otimista acredita que vivemos no melhor dos mundos. O pessimista teme que isso seja verdade. Mas se existe uma regra que nunca nos deveremos esquecer, é, nunca faças ao outro o que não gostavas que te fizessem a ti.

 

Quando não se consegue ser altruísta, egoísta, otimista e pessimista em dozes equilibradas, significa que teremos que rever a nossa forma de pensar, lidar e conviver em sociedade. Quer seja politicamente, religiosamente, sentimentalmente e outros mentes quaisquer.

 

Praticar é mais simples do que parece, basta apenas sinceridade, verdade e respeito.

 

Uma fotografia e uma música – parte XVIII – Pedro Abrunhosa – Vamos fazer o que ainda não foi feito

24.09.18 | Paulo Brites

Vamos fazer o que ainda não foi feito

Nikon D3200, 50-200mm @ 200mm, f/5.6, 1/1000s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=14_-_N2xJ3I 

 

Sei que me vês,

Quando os teus olhos me ignoram

Quando por dentro eu sei que choram

Sabes de mim,

Eu sou aquele que se esconde

Sabe de ti sem saber onde,

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

Trago-te em mim,

Mesmo que chova no verão

Queres dizer sim,

Mas dizes não

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

E eu, sou mais do que te invento

Tu és um mundo com mundos por dentro

E temos tanto pra contar

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Eu sei que dói,

Sei como foi andares tão só por essa rua

As vozes que te chamam e tu na tua

Esse teu corpo é o teu porto, é o teu jeito

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

Sabes quem sou,

Para onde vou a vida é curva, não uma linha

As portas que se fecham e eu na minha

A tua sombra é o lugar onde me deito

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

E eu, sou mais do que te invento

Tu és um mundo com mundos por dentro

E temos tanto pra contar

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Tens uma estrada, tenho uma mão cheia de nada

Somos um todo imperfeito

Tu és inteira e eu desfeito

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

E eu, sou mais do que te invento

Tu és um mundo com mundos por dentro

E temos tanto pra contar

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

 

Uma fotografia e uma música – parte XVII – Maria Bethânia ...

23.09.18 | Paulo Brites

DSC_2576-1.jpg

Nikon D3200, 18-55mm @ 35mm, f/5.6, 1/40s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=Zi2cb9cK4M8 

 

Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos tupis,

Sou tupinambá, tenho os erês, caboclo boiadeiro,

Mãos de cura, morubichabas, cocares, Zarabatanas,curares, flechas e altares.

À velocidade da luz, o escuro da mata escura, o breu o silêncio a espera.

Eu tenho Jesus, Maria e José, e todos os pajés em minha companhia,

O Menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou.

 

Não mexe comigo, que eu não ando só,

Eu não ando só, eu não ando só.

Não mexe não!

 

Não misturo, não me dobro.

A rainha do mar anda de mãos dadas comigo,

Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.

É do ouro de Oxum que é feita a armadura que cobre meu corpo,

Garante meu sangue, minha garganta.

O veneno do mal não acha passagem

E em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o Caminho.

Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã, giro o mundo, viro, reviro.

Tô no recôncavo, tô em Fez.

Voo entre as estrelas, brinco de ser uma, traço o cruzeiro do sul com a tocha da fogueira de João menino, rezo com as três Marias, vou além, me recolho no esplendor das nebulosas, descanso nos vales, montanhas, durmo na forja de Ogum, mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de Xangô.

 

Não ando no breu, nem ando na treva

Não ando no breu, nem ando na treva

É por onde eu vou, que o santo me leva

É por onde eu vou, que o santo me leva

 

Não ando no breu, nem ando na treva

Não ando no breu, nem ando na treva

É por onde eu vou, que o santo me leva

É por onde eu vou, que o santo me leva

 

Medo não me alcança.

No deserto me acho, faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo.

Meus pés recebem bálsamos, unguentos suaves das mãos de Maria

Irmã de Marta e Lázaro, no Oásis de Bethânia.

Pensou que eu ando só? Atente ao tempo. Não começa, não termina, é nunca é sempre.

É tempo de reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra, fulmina o injusto e deixa nua a Justiça.

 

Eu não provo do teu fel, não piso no teu chão,

E pra onde você for, não leva o meu nome não

E pra onde você for, não leva o meu nome não

 

Eu não provo do teu fel, não piso no teu chão,

E pra onde você for, não leva o meu nome não

E pra onde você for, não leva o meu nome não

  

Onde vai valente?

Você secou, seus olhos insones secaram, não veem brotar a relva que cresce livre e verde longe da tua cegueira.

Teus ouvidos se fecharam à todo som, qualquer música, nem o bem, nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe.

Você pisa na terra mas não sente, apenas pisa.

Apenas vaga sobre o planeta, e já nem ouve as teclas do teu piano.

Você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona, não tem alma.

Você é o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.

 

O que é teu já tá guardado.

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar.

 

O que é teu já tá guardado.

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar.

 

Eu posso engolir você, só pra cuspir depois.

Minha fome é matéria que você não alcança.

Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem fim dos versos, versos, versos, que brotam do poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.

se choro, quando choro, é regar o capim que alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes que você secou.

Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio.

Eu ando de cara pra o vento na chuva, e quero me molhar.

O terço de Fátima e o cordão de Gandhi, cruzam o meu peito.

Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, nenhuma espada corta.

 

Não mexe comigo, que eu não ando só

Eu não ando só, que eu não ando só

Não mexe não!

 

Um dedo de culinária - parte V - Figos-da-Índia e algumas receitas

20.09.18 | Paulo Brites

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No Alentejo e Algarve, as piteiras como também são conhecidas, crescem selvagens há séculos. Poderão existir duas aflorações por ano, uma na primavera e outra no princípio de outono, necessitando de temperaturas diurnas superiores a 20º C. Existem variedades de fruto brancas, amarelos (os mais apreciados), roxos e vermelhos.

 

São muitas as propriedades do figo-da-índia e do cacto onde nascem. Na medicina popular, durante muitos e muitos anos, preparava-se um xarope com base no sumo extraído das folhas da piteira, para ajudar na “cura” da tosse. Para a asma e infecções das vias respiratórias, cortava-se o interior do figo em rodelas fininhas, cobriam-se com açúcar. Repousava durante a noite num recipiente fechado. Coava-se pela manhã para eliminar as sementes e, durante o dia bebia-se à colher.

 

Quase toda a planta se poderá consumir. O figo-da-Índia consome-se fresco, mas também como fruto seco. As folhas podem ser consumidas como legume fresco ou em sumos. Das flores secas faz-se uma infusão. O fruto deste cacto é também utilizado na produção de vários tipos de licores e até aguardentes.

 

Na culinária, para além do figo, também é muito saborosa a polpa da folha. A sua casca, poderá ser utilizada na elaboração de sumos.

 

Para a utilização da palma (folha da piteira), deverá limpar bem os picos e retirar a casca. Nas saladas e sopas, corte em cubos. Para a utilização em sumos, bolos, licores, geleia … adicione água, mas somente a necessária para triturar. Da sua casca poderá fazer pickles.

 

O figo-da-Índia deve ser manipulado com muito cuidado. Os seus minúsculos picos não são muito agradáveis em contacto com a pele. No entanto, tendo o devido cuidado, não é muito complicado a sua preparação.

 

Utilizar luvas e com a ajuda de um alicate comprido, poderá ser uma tanás do lume por exemplo, rode-os até se soltarem da palma. Já em casa, com a ajuda do mesmo alicate, passe o figo pela chama do fogão, para queimar os picos.

 

Num prato, espete um garfo no figo e corte as extremidades. Com uma faca dê um corte em cima e abra o figo, para que retire toda a casca envolvente. Tenha cuidado para não deixar a polpa entrar em contacto com a casca, poderá esta ter ainda alguns picos e passar para a polpa. Depois desses passos, estará pronto a consumir.

 

Deixo aqui algumas formas de confeccionar:

 

Sopa de folha de Figueira-da-Índia

 

6 folhas de figueira-da-Índia, com espinhos tirados, lavadas, descascadas e cortadas em tiras

1 colher de sobremesa de manteiga

1 litro de caldo de galinha

2 dentes de alho

1 cebola

1 tomate

1 bom molho de coentros

sal a gosto

 

Prepare as folhas de figueira-da-Índia, retirando os picos e a casca. Passe por água, salteie numa frigideira com a manteiga. Numa panela com o caldo, leve as folhas ao lume. Quando levantar fervura, acrescente o alho, a cebola, o tomate e o sal. Deixe cozinhar cerca de 30 minutos. Rectifique de sal se necessário, polvilhe com os coentros picados e sirva.

 

 

Saladas de folha de Figueira-da-Índia

 

Retire os espinhos e rale a folha com casca num ralador (use folhas novas, se forem fibrosas retire a casca). Adicione a mesma quantidade de cenoura ralada, tempere com limão e sal. Pode adicionar um pouco de molho de soja, se gostar.

 

 

Licor de figo-da-Índia

 

10 figos-da-Índia picados e com casca

1 litro de aguardente

500 g de açúcar

750 ml de água

 

Coloque os figos picados e a aguardente a macerar 30 dias. Utilize um recipiente de vidro e proteja do sol e da claridade. Agite 2 ou 3 vezes por dia, poderá ser de manhã e ao final da tarde. Depois disto, retire os figos, coloque-os numa panela com água e o açúcar. Vá mexendo em lume brando até derreter os figos completamente. Espere atá arrefecer e volte a colocar na aguardente. Deixe macerar por mais 30 dias, mexendo todos os dias. Depois de macerar, coe tudo num coador de pano. Coloque numa garrafa... e, tenha cuidado no seu consumo, é forte!

 

 

Torta de figo-da-Índia

 

900 g de figos-da-Índia

400 g de açúcar mascavado

4 ovos

2 paus de canela

raspa de 1 laranja

4 colheres de sopa de farinha com fermento

canela e açúcar em pó q.b.

 

Descasque os figos-da-Índia, corte-os às rodelas e coza-os em lume brando com 100 g de açúcar e os dois paus de canela. Depois de cozido retire os paus de canela, triture e remova as sementes. Adicione 300 g de açúcar, raspa de 1 laranja e os ovos inteiros. Bata tudo muito bem. De seguida, envolva a farinha com uma vara de arames. Unte um tabuleiro com manteiga. Forre o tabuleiro com papel vegetal, unte também o papel vegetal e polvilhe com farinha. Verta a massa para o tabuleiro e leve ao forno a 190ºC durante aproximadamente 30 minutos. Depois de cozido, desenforme sobre um pano polvilhado com açúcar e canela em pó. Remova o papel vegetal e enrole com a ajuda de um pano húmido.

 

 

Gelado de figo-da-Índia

 

2 pacotes de natas

1 lata de leite condensado

Sumo de figos-da-Índia sem sementes

 

Bata as natas em castelo bem firmes, junte o leite condensado até obter o ponto. Adicione o sumo de figo-da-Índia. Leve ao congelador e sirva gelado, decorado com amêndoas torradas.

 

Existem muitas mais receitas possível de confeccionar os figos-da-índia, dê largas à sua imaginação.

 

Um dedo de culinária - parte IV - "Penduras" alentejanas e Geleia de Uvas

17.09.18 | Paulo Brites

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Estamos em plena época das vindimas aqui pelo Alentejo. Sempre foi hábito por estas bandas tratar das “penduras”.

 

Mas o que eram as “penduras”? As “penduras” era a forma que se tinha de armazenar a fruta da época. Por norma era feita com uvas, melão, romã, marmelo ou outro tipo de fruta. As habitações tradicionais não tinham e não têm abobadas. Nos troncos de madeira que suportavam as telhas eram colocados pregos, separados entre si, cerca de 20 a 30 cm. Neles eram pendurados os melões dentro de uma “camisa” feita em ráfia. Dois cachos de uvas eram “atadas” com fio de sapateiro de forma a que depois de pendurados não ficassem em contacto, um mais acima e outro mais abaixo. O mesmo acontecia com as “penduras” de romãs e marmelos.

 

Normalmente essas “penduras” iriam abastecer a casa de fruta até ao Natal. Em habitações com melhor isolamento do frio e humidade, com fruta sabiamente escolhida, chegavam mesmo até ao Carnaval.

 

Os tempos eram outros, as necessidades levavam a que se encontrassem formas desse tipo de armazenamento. Sem dúvida que funcionavam. Hoje com os sistemas de rega gota-a-gota esses frutos acabam por apodrecer se tal o fizermos. Ainda se encontra muita uva de sequeiro no nosso Alentejo, se pretender fazer essa experiência, de certeza que não se irá arrepender.

 

Nada na vida deverá estagnar e a culinária é um exemplo disso mesmo. Enquanto a marmelada e geleia de marmelo é algo de muito típico e popular, a geleia de uvas só em casa de famílias mais abastardas financeiramente era produzida. Não que as uvas fossem algo de difícil aquisição mas o açúcar era um ingrediente que se tinha que racionar. O seu elevado preço a isso obrigava. Exemplo disso é a doçaria conventual versus doçaria popular. A primeira e porque o acesso ao açúcar era facilmente obtido, era um ingrediente muito utilizado. Já a doçaria popular era essencialmente produzida com uma maior quantidade de farinha.      

 

Mas vamos tratar de uma iguaria que felizmente hoje está ao alçam-se de quase todos. Geleia de uvas. Poderá ser confeccionada com uvas brancas ou tintas, sendo que, utilizando uva branca terá que colocar um pouco mais de açúcar.

 

1 kg uvas

500 gr açúcar mascavado para uva tinta. Para uva branca 750 gr

12 gotas de limão

2 cravos da Índia ou 1 pau de canela, dependendo do gosto de cada um. Em minha opinião o cravo da Índia é mais saboroso na geleia de uva tinta, enquanto na uva branca, combina melhor a canela.

 

Numa panela ou tacho (se for de cobre ainda melhor) colocar os bagos de uva e, cobrir de água. Deixar ferver. Mexer com uma colher de pau até os bagos estourarem e libertarem o sumo e a polpa. Eu preparo cerca de 150 a 200 gramas de bagos, retirando a pele e as grainhas, coloco dentro de um "atado" de pano-cru. Mais tarde adiciono esses bagos inteiros para uma melhor apresentação e textura.

 

Num passador fino, passe o resultado anterior. Vá apertando e desfazendo os bagos de forma a obter uma mistura mais rica e densa. Até somente sobrar a pele e as grainhas.

 

Na mesma panela ou tacho e sem lavar, colocar o sumo, juntar o açúcar, as gotas de limão e o cravo da Índia ou pau de canela.

 

Levar a lume até ferver. Depois, baixe o lume ao mínimo. Vá mexendo sempre até obter o ponto de estrada ou ponto de geleia. Por norma consegue-se esse ponto quando a redução for sensivelmente por metade. Se optar por fazer esse "atado" de uvas sem grainhas, coloque depois a meio da cozedura ou já muito próximo do ponto pretendido.

 

De salientar que enquanto quente, a geleia de uva irá ficar um pouco cremosa e liquida. Só ficará com o normal aspecto e textura de geleia depois de fria. Coloque dentro de frascos que se possam tapar. Deixe arrefecer por si ou poderá colocar no frio para que o processo de solidificação seja mais rápido. 

 

Para que não vá criar bolor, poderá cobrir com papel vegetal antes de fechar. No entanto a melhor forma de evitar o bolor, será, depois de bem fechados, levar os frascos a ferver numa panela de água, durante 2 minutos. Assim criam vácuo e a sua conservação estará assegurada até à vindima do ano seguinte.

 

E é isso, bom apetite!

 

Podem acompanhar-me também em https://hora-da-buxa.blogspot.com/ 

 

Uma fotografia, uma música – parte XVI - Miguel Araújo e Inês Viterbo – Balada astral

12.09.18 | Paulo Brites

Memory portrait

Nikon D3200, 18-55mm @ 24mm, f/8, 1/160s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=iQJ6hjJtf6Q 

 

Quando Deus pôs o mundo

E o céu a girar

Bem lá no fundo

Sabia que por aquele andar

Eu te havia de encontrar

 

Minha mãe, no segundo

Em que aceitou dançar

Foi na cantiga

Dos astros a conspirar

Que do seu cósmico vagar

 

Mandaram o teu pai

Subir para a tua mãe

Para que tu

Existisses também

 

Era um dia bonito

E na altura, eu também

O Tozé Brito

Ainda se lembrava bem

Do seu cósmico refém

 

Eu que pensava

Que ia só comprar pão

Tu que pensavas

Que ias só passear o cão

A salvo da conspiração

 

Cruzámos caminhos

Tropeçámos num olhar

E o pão nesse dia

Ficou por comprar

 

Ensarilharam-se

As trelas dos cães

Os astros, os signos

Os desígnios e as constelações

As estrelas, os trilhos

E as tralhas dos dois

 

Balada astral – Miguel Araújo

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