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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Fazes hoje 5.475 dias na tua TL, parabéns!

26.09.18 | Paulo Brites

fishing day

Nikon D3200, 18-55mm @ 24mm, f/9, 1/250s, ISO 100

 

Com o surgimento das redes sociais o mundo transformou-se. A vida não pára! E eis que há uns anos atrás surgem, ou melhor, redefine-se o significado de alguns termos e palavras. Se são termos novos ou recentes? Não! Eles já existiam!

 

De entre eles, estão alguns como por exemplo “cronologia” ou “linha do tempo”. Nós humanos sempre fomos de gostar mais daquilo ou do outro (irrita-me este corretor ortográfico, quero escrever – nós humanos sempre fomos – e o corretor insiste em sugerir - eles humanos sempre foram - talvez uma prova que a informática criou vida própria! Irra que é demais …) mas voltando ao pensamento dos novos termos e, de entre esses dois, claramente que o termo adotado pelo facebook “cronologia” não é dos mais felizes. Dizem vocês, alguns, que estou errado. Até poderei estar! É uma questão de semântica! Mas pessoalmente gosto mais do termo que o twinter adotou! Sim TL, em português, linha do tempo.

 

Hoje faz 5.475 dias sobre um acontecimento marcante para mim. Um acontecimento feliz! São momentos que não se vivem muitas vezes. São únicos! Já tinha vivido há anos um igual, ou melhor, idêntico, porque nada é igual a nada! Nem um ou outro é melhor ou pior! São os dois momentos mais marcantes da minha vida.

 

Parabéns pelo teu dia e que nesta tua “time line” só coisas boas te aconteçam. Beijinhos e parabéns!

Altruísmo, egoísmo e outros “ísmos” do nosso dia-a-dia

25.09.18 | Paulo Brites

Street

Nikon D3200, 18-55mm @ 48mm, f/7.1, 1/160s, ISO 100

 

Altruísmo é um “termo e doutrina” que nasce após os complicados anos do primeiro quartel do século XIX. Havia necessidade de definir algumas formas de comportamento do ser humano. Já existia o “termo” egoísmo. E eis que alguém resolve criar uma doutrina que fosse antónimo de egoísmo. Claro que todo o conceito dessa doutrina já era uma característica de sempre dos seres humanos. Faz parte de muitos, felizmente.

 

Por ser uma palavra que soa bem, é bastante utilizada, por todos. No entanto, alguns têm dificuldade em prenunciar tal termo. Têm também dificuldade em expressar e praticar tais atos que identificam este palavrão.

 

O altruísmo vai muito para além de uma boa ação ou de uma opção de vida. É condição essencial para, além de se mudar o mundo, mudarmos a nós próprios e criar novos rumos aos rumos.

 

No seu sentido contrário vem o “egoísmo” e o “individualismo”. Todas a “correntes” existentes deveriam para além de ter nos seus princípios, a sua praticabilidade. No entanto é bem mais praticado o “egoísmo” e o “individualismo”. Não é necessariamente mau praticar o “egoísmo”. Para além de fazer parte da sobrevivência humana, também é necessário, para por exemplo, encontrar um equilíbrio. Quer seja no trabalho, no amor, ou mesmo no nosso bem-estar emocional. Todos nós deveríamos ter a capacidade de em dozes equivalentes, praticar o altruísmo e o egoísmo. Tal equilíbrio iria sem dúvida evitar muita “coisa” que por esta vida vamos vivendo.

 

Tal como o otimismo e o pessimismo deverão ser equilibrados, também o altruísmo e egoísmo o deverão ser. O otimista acredita que vivemos no melhor dos mundos. O pessimista teme que isso seja verdade. Mas se existe uma regra que nunca nos deveremos esquecer, é, nunca faças ao outro o que não gostavas que te fizessem a ti.

 

Quando não se consegue ser altruísta, egoísta, otimista e pessimista em dozes equilibradas, significa que teremos que rever a nossa forma de pensar, lidar e conviver em sociedade. Quer seja politicamente, religiosamente, sentimentalmente e outros mentes quaisquer.

 

Praticar é mais simples do que parece, basta apenas sinceridade, verdade e respeito.

 

Uma fotografia e uma música – parte XVIII – Pedro Abrunhosa – Vamos fazer o que ainda não foi feito

24.09.18 | Paulo Brites

Vamos fazer o que ainda não foi feito

Nikon D3200, 50-200mm @ 200mm, f/5.6, 1/1000s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=14_-_N2xJ3I 

 

Sei que me vês,

Quando os teus olhos me ignoram

Quando por dentro eu sei que choram

Sabes de mim,

Eu sou aquele que se esconde

Sabe de ti sem saber onde,

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

Trago-te em mim,

Mesmo que chova no verão

Queres dizer sim,

Mas dizes não

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

E eu, sou mais do que te invento

Tu és um mundo com mundos por dentro

E temos tanto pra contar

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Eu sei que dói,

Sei como foi andares tão só por essa rua

As vozes que te chamam e tu na tua

Esse teu corpo é o teu porto, é o teu jeito

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

Sabes quem sou,

Para onde vou a vida é curva, não uma linha

As portas que se fecham e eu na minha

A tua sombra é o lugar onde me deito

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

E eu, sou mais do que te invento

Tu és um mundo com mundos por dentro

E temos tanto pra contar

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Tens uma estrada, tenho uma mão cheia de nada

Somos um todo imperfeito

Tu és inteira e eu desfeito

Vamos fazer o que ainda não foi feito

 

E eu, sou mais do que te invento

Tu és um mundo com mundos por dentro

E temos tanto pra contar

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

Vem esta noite,

Fomos tão longe a vida toda

Somos um beijo que demora

Porque amanhã é sempre tarde demais

 

 

Uma fotografia e uma música – parte XVII – Maria Bethânia ...

23.09.18 | Paulo Brites

DSC_2576-1.jpg

Nikon D3200, 18-55mm @ 35mm, f/5.6, 1/40s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=Zi2cb9cK4M8 

 

Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos tupis,

Sou tupinambá, tenho os erês, caboclo boiadeiro,

Mãos de cura, morubichabas, cocares, Zarabatanas,curares, flechas e altares.

À velocidade da luz, o escuro da mata escura, o breu o silêncio a espera.

Eu tenho Jesus, Maria e José, e todos os pajés em minha companhia,

O Menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou.

 

Não mexe comigo, que eu não ando só,

Eu não ando só, eu não ando só.

Não mexe não!

 

Não misturo, não me dobro.

A rainha do mar anda de mãos dadas comigo,

Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.

É do ouro de Oxum que é feita a armadura que cobre meu corpo,

Garante meu sangue, minha garganta.

O veneno do mal não acha passagem

E em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o Caminho.

Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã, giro o mundo, viro, reviro.

Tô no recôncavo, tô em Fez.

Voo entre as estrelas, brinco de ser uma, traço o cruzeiro do sul com a tocha da fogueira de João menino, rezo com as três Marias, vou além, me recolho no esplendor das nebulosas, descanso nos vales, montanhas, durmo na forja de Ogum, mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de Xangô.

 

Não ando no breu, nem ando na treva

Não ando no breu, nem ando na treva

É por onde eu vou, que o santo me leva

É por onde eu vou, que o santo me leva

 

Não ando no breu, nem ando na treva

Não ando no breu, nem ando na treva

É por onde eu vou, que o santo me leva

É por onde eu vou, que o santo me leva

 

Medo não me alcança.

No deserto me acho, faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo.

Meus pés recebem bálsamos, unguentos suaves das mãos de Maria

Irmã de Marta e Lázaro, no Oásis de Bethânia.

Pensou que eu ando só? Atente ao tempo. Não começa, não termina, é nunca é sempre.

É tempo de reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra, fulmina o injusto e deixa nua a Justiça.

 

Eu não provo do teu fel, não piso no teu chão,

E pra onde você for, não leva o meu nome não

E pra onde você for, não leva o meu nome não

 

Eu não provo do teu fel, não piso no teu chão,

E pra onde você for, não leva o meu nome não

E pra onde você for, não leva o meu nome não

  

Onde vai valente?

Você secou, seus olhos insones secaram, não veem brotar a relva que cresce livre e verde longe da tua cegueira.

Teus ouvidos se fecharam à todo som, qualquer música, nem o bem, nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe.

Você pisa na terra mas não sente, apenas pisa.

Apenas vaga sobre o planeta, e já nem ouve as teclas do teu piano.

Você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona, não tem alma.

Você é o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.

 

O que é teu já tá guardado.

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar.

 

O que é teu já tá guardado.

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar.

 

Eu posso engolir você, só pra cuspir depois.

Minha fome é matéria que você não alcança.

Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem fim dos versos, versos, versos, que brotam do poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.

se choro, quando choro, é regar o capim que alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes que você secou.

Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio.

Eu ando de cara pra o vento na chuva, e quero me molhar.

O terço de Fátima e o cordão de Gandhi, cruzam o meu peito.

Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, nenhuma espada corta.

 

Não mexe comigo, que eu não ando só

Eu não ando só, que eu não ando só

Não mexe não!

 

Um dedo de culinária - parte V - Figos-da-Índia e algumas receitas

20.09.18 | Paulo Brites

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No Alentejo e Algarve, as piteiras como também são conhecidas, crescem selvagens há séculos. Poderão existir duas aflorações por ano, uma na primavera e outra no princípio de outono, necessitando de temperaturas diurnas superiores a 20º C. Existem variedades de fruto brancas, amarelos (os mais apreciados), roxos e vermelhos.

 

São muitas as propriedades do figo-da-índia e do cacto onde nascem. Na medicina popular, durante muitos e muitos anos, preparava-se um xarope com base no sumo extraído das folhas da piteira, para ajudar na “cura” da tosse. Para a asma e infecções das vias respiratórias, cortava-se o interior do figo em rodelas fininhas, cobriam-se com açúcar. Repousava durante a noite num recipiente fechado. Coava-se pela manhã para eliminar as sementes e, durante o dia bebia-se à colher.

 

Quase toda a planta se poderá consumir. O figo-da-Índia consome-se fresco, mas também como fruto seco. As folhas podem ser consumidas como legume fresco ou em sumos. Das flores secas faz-se uma infusão. O fruto deste cacto é também utilizado na produção de vários tipos de licores e até aguardentes.

 

Na culinária, para além do figo, também é muito saborosa a polpa da folha. A sua casca, poderá ser utilizada na elaboração de sumos.

 

Para a utilização da palma (folha da piteira), deverá limpar bem os picos e retirar a casca. Nas saladas e sopas, corte em cubos. Para a utilização em sumos, bolos, licores, geleia … adicione água, mas somente a necessária para triturar. Da sua casca poderá fazer pickles.

 

O figo-da-Índia deve ser manipulado com muito cuidado. Os seus minúsculos picos não são muito agradáveis em contacto com a pele. No entanto, tendo o devido cuidado, não é muito complicado a sua preparação.

 

Utilizar luvas e com a ajuda de um alicate comprido, poderá ser uma tanás do lume por exemplo, rode-os até se soltarem da palma. Já em casa, com a ajuda do mesmo alicate, passe o figo pela chama do fogão, para queimar os picos.

 

Num prato, espete um garfo no figo e corte as extremidades. Com uma faca dê um corte em cima e abra o figo, para que retire toda a casca envolvente. Tenha cuidado para não deixar a polpa entrar em contacto com a casca, poderá esta ter ainda alguns picos e passar para a polpa. Depois desses passos, estará pronto a consumir.

 

Deixo aqui algumas formas de confeccionar:

 

Sopa de folha de Figueira-da-Índia

 

6 folhas de figueira-da-Índia, com espinhos tirados, lavadas, descascadas e cortadas em tiras

1 colher de sobremesa de manteiga

1 litro de caldo de galinha

2 dentes de alho

1 cebola

1 tomate

1 bom molho de coentros

sal a gosto

 

Prepare as folhas de figueira-da-Índia, retirando os picos e a casca. Passe por água, salteie numa frigideira com a manteiga. Numa panela com o caldo, leve as folhas ao lume. Quando levantar fervura, acrescente o alho, a cebola, o tomate e o sal. Deixe cozinhar cerca de 30 minutos. Rectifique de sal se necessário, polvilhe com os coentros picados e sirva.

 

 

Saladas de folha de Figueira-da-Índia

 

Retire os espinhos e rale a folha com casca num ralador (use folhas novas, se forem fibrosas retire a casca). Adicione a mesma quantidade de cenoura ralada, tempere com limão e sal. Pode adicionar um pouco de molho de soja, se gostar.

 

 

Licor de figo-da-Índia

 

10 figos-da-Índia picados e com casca

1 litro de aguardente

500 g de açúcar

750 ml de água

 

Coloque os figos picados e a aguardente a macerar 30 dias. Utilize um recipiente de vidro e proteja do sol e da claridade. Agite 2 ou 3 vezes por dia, poderá ser de manhã e ao final da tarde. Depois disto, retire os figos, coloque-os numa panela com água e o açúcar. Vá mexendo em lume brando até derreter os figos completamente. Espere atá arrefecer e volte a colocar na aguardente. Deixe macerar por mais 30 dias, mexendo todos os dias. Depois de macerar, coe tudo num coador de pano. Coloque numa garrafa... e, tenha cuidado no seu consumo, é forte!

 

 

Torta de figo-da-Índia

 

900 g de figos-da-Índia

400 g de açúcar mascavado

4 ovos

2 paus de canela

raspa de 1 laranja

4 colheres de sopa de farinha com fermento

canela e açúcar em pó q.b.

 

Descasque os figos-da-Índia, corte-os às rodelas e coza-os em lume brando com 100 g de açúcar e os dois paus de canela. Depois de cozido retire os paus de canela, triture e remova as sementes. Adicione 300 g de açúcar, raspa de 1 laranja e os ovos inteiros. Bata tudo muito bem. De seguida, envolva a farinha com uma vara de arames. Unte um tabuleiro com manteiga. Forre o tabuleiro com papel vegetal, unte também o papel vegetal e polvilhe com farinha. Verta a massa para o tabuleiro e leve ao forno a 190ºC durante aproximadamente 30 minutos. Depois de cozido, desenforme sobre um pano polvilhado com açúcar e canela em pó. Remova o papel vegetal e enrole com a ajuda de um pano húmido.

 

 

Gelado de figo-da-Índia

 

2 pacotes de natas

1 lata de leite condensado

Sumo de figos-da-Índia sem sementes

 

Bata as natas em castelo bem firmes, junte o leite condensado até obter o ponto. Adicione o sumo de figo-da-Índia. Leve ao congelador e sirva gelado, decorado com amêndoas torradas.

 

Existem muitas mais receitas possível de confeccionar os figos-da-índia, dê largas à sua imaginação.

 

Um dedo de culinária - parte IV - "Penduras" alentejanas e Geleia de Uvas

17.09.18 | Paulo Brites

compota-de-uvas.jpg

 

Estamos em plena época das vindimas aqui pelo Alentejo. Sempre foi hábito por estas bandas tratar das “penduras”.

 

Mas o que eram as “penduras”? As “penduras” era a forma que se tinha de armazenar a fruta da época. Por norma era feita com uvas, melão, romã, marmelo ou outro tipo de fruta. As habitações tradicionais não tinham e não têm abobadas. Nos troncos de madeira que suportavam as telhas eram colocados pregos, separados entre si, cerca de 20 a 30 cm. Neles eram pendurados os melões dentro de uma “camisa” feita em ráfia. Dois cachos de uvas eram “atadas” com fio de sapateiro de forma a que depois de pendurados não ficassem em contacto, um mais acima e outro mais abaixo. O mesmo acontecia com as “penduras” de romãs e marmelos.

 

Normalmente essas “penduras” iriam abastecer a casa de fruta até ao Natal. Em habitações com melhor isolamento do frio e humidade, com fruta sabiamente escolhida, chegavam mesmo até ao Carnaval.

 

Os tempos eram outros, as necessidades levavam a que se encontrassem formas desse tipo de armazenamento. Sem dúvida que funcionavam. Hoje com os sistemas de rega gota-a-gota esses frutos acabam por apodrecer se tal o fizermos. Ainda se encontra muita uva de sequeiro no nosso Alentejo, se pretender fazer essa experiência, de certeza que não se irá arrepender.

 

Nada na vida deverá estagnar e a culinária é um exemplo disso mesmo. Enquanto a marmelada e geleia de marmelo é algo de muito típico e popular, a geleia de uvas só em casa de famílias mais abastardas financeiramente era produzida. Não que as uvas fossem algo de difícil aquisição mas o açúcar era um ingrediente que se tinha que racionar. O seu elevado preço a isso obrigava. Exemplo disso é a doçaria conventual versus doçaria popular. A primeira e porque o acesso ao açúcar era facilmente obtido, era um ingrediente muito utilizado. Já a doçaria popular era essencialmente produzida com uma maior quantidade de farinha.      

 

Mas vamos tratar de uma iguaria que felizmente hoje está ao alçam-se de quase todos. Geleia de uvas. Poderá ser confeccionada com uvas brancas ou tintas, sendo que, utilizando uva branca terá que colocar um pouco mais de açúcar.

 

1 kg uvas

500 gr açúcar mascavado para uva tinta. Para uva branca 750 gr

12 gotas de limão

2 cravos da Índia ou 1 pau de canela, dependendo do gosto de cada um. Em minha opinião o cravo da Índia é mais saboroso na geleia de uva tinta, enquanto na uva branca, combina melhor a canela.

 

Numa panela ou tacho (se for de cobre ainda melhor) colocar os bagos de uva e, cobrir de água. Deixar ferver. Mexer com uma colher de pau até os bagos estourarem e libertarem o sumo e a polpa. Eu preparo cerca de 150 a 200 gramas de bagos, retirando a pele e as grainhas, coloco dentro de um "atado" de pano-cru. Mais tarde adiciono esses bagos inteiros para uma melhor apresentação e textura.

 

Num passador fino, passe o resultado anterior. Vá apertando e desfazendo os bagos de forma a obter uma mistura mais rica e densa. Até somente sobrar a pele e as grainhas.

 

Na mesma panela ou tacho e sem lavar, colocar o sumo, juntar o açúcar, as gotas de limão e o cravo da Índia ou pau de canela.

 

Levar a lume até ferver. Depois, baixe o lume ao mínimo. Vá mexendo sempre até obter o ponto de estrada ou ponto de geleia. Por norma consegue-se esse ponto quando a redução for sensivelmente por metade. Se optar por fazer esse "atado" de uvas sem grainhas, coloque depois a meio da cozedura ou já muito próximo do ponto pretendido.

 

De salientar que enquanto quente, a geleia de uva irá ficar um pouco cremosa e liquida. Só ficará com o normal aspecto e textura de geleia depois de fria. Coloque dentro de frascos que se possam tapar. Deixe arrefecer por si ou poderá colocar no frio para que o processo de solidificação seja mais rápido. 

 

Para que não vá criar bolor, poderá cobrir com papel vegetal antes de fechar. No entanto a melhor forma de evitar o bolor, será, depois de bem fechados, levar os frascos a ferver numa panela de água, durante 2 minutos. Assim criam vácuo e a sua conservação estará assegurada até à vindima do ano seguinte.

 

E é isso, bom apetite!

 

Podem acompanhar-me também em https://hora-da-buxa.blogspot.com/ 

 

Uma fotografia, uma música – parte XVI - Miguel Araújo e Inês Viterbo – Balada astral

12.09.18 | Paulo Brites

Memory portrait

Nikon D3200, 18-55mm @ 24mm, f/8, 1/160s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=iQJ6hjJtf6Q 

 

Quando Deus pôs o mundo

E o céu a girar

Bem lá no fundo

Sabia que por aquele andar

Eu te havia de encontrar

 

Minha mãe, no segundo

Em que aceitou dançar

Foi na cantiga

Dos astros a conspirar

Que do seu cósmico vagar

 

Mandaram o teu pai

Subir para a tua mãe

Para que tu

Existisses também

 

Era um dia bonito

E na altura, eu também

O Tozé Brito

Ainda se lembrava bem

Do seu cósmico refém

 

Eu que pensava

Que ia só comprar pão

Tu que pensavas

Que ias só passear o cão

A salvo da conspiração

 

Cruzámos caminhos

Tropeçámos num olhar

E o pão nesse dia

Ficou por comprar

 

Ensarilharam-se

As trelas dos cães

Os astros, os signos

Os desígnios e as constelações

As estrelas, os trilhos

E as tralhas dos dois

 

Balada astral – Miguel Araújo

Um dedo de culinária - parte III - Cardos, Carrasquinhos, Tengarrinhas ou Cangarinha

12.09.18 | Paulo Brites

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Embora o https://hora-da-buxa.blogspot.com/ seja ainda um bebé, faz hoje 4 dias, já teve algumas reacções. Felizmente todas elas positivas.

 

Aquando da minha partilha dos post sobre a escorcioneira e sobre as açordas, sopas ou caldos de beldroegas, https://hora-da-buxa.blogspot.com/2018/09/a-acorda-de-beldroegas-no-meu-alentejo.html recebi algumas solicitações para falar sobre outras plantas silvestres. Irei aceitar o desafio, existem de facto muitas e muitas plantas que podemos retirar da natureza e com elas fazer petiscos e manjares dos deuses.

 

Hoje falo dos cardos! Cardos para uns, tengarrinhas, carraquinhos ou cangarinha para outros. Desconheço se existe mais algum termo pelos quais são conhecidos mas será provável que exista.

 

Existem variadas espécies de cardos, umas com aproveitamento para a medicina e industria farmacêutica, outras para a coagulação do leite no fabrico de queijos, para a transformação em papel ... e muitas outras. Também existe uma que é bastante utilizada na alimentação humana, falo da espécie Scolymus hispanicus.

 

É um ingrediente que é utilizado há muitos, muitos anos no Alentejo. Com eles confeccionam-se maravilhosos pratos que fazem parte da herança gastronómica alentejana e mediterrânica. Com feijão, com grão, em omeletes, saladas, cozidos e ensopados … enfim uma enorme aplicação!

 

Enquanto as outras espécies existem de uma forma geral em muitas partes do globo, a espécie que vos falo, não existe em todo o lado, somente na bacia mediterrânica é encontrada. Isso de forma selvagem, porque em muitos países ela é cultivada e venerada.

 

O seu habitat de eleição são locais rochosos, sobretudo em terrenos barrentos. Poderão ser colhidos todo o ano, mas os meses de Janeiro a Maio são os melhores para se obter o cardo mais tenro e macio.

 

Actualmente a maioria das pessoas opta por comprar os cardos de estufas. Se têm o mesmo sabor e aroma? Completamente diferente! Certo que a sua recolha na forma selvagem não é muito confortável, devido ao trabalho que depois dá na sua preparação. Sem esquecer dos seus “simpáticos” picos que são algo que muitos de nós queremos evitar.

 

PREPARAÇÃO

 

O primeiro conselho que dou, será a utilização de luvas. Não irão proteger completamente dos seus picos mas evitará que as suas mãos fiquem completamente negras.

 

Separar as folhas uma a uma e com a ajuda de uma faca ripar as laterais de todos e quaisquer picos.

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Lavar bem em água corrente e numa panela, ferver em água cerca de 15 minutos. Essa primeira cozedura é para eliminar o amargo do seu sabor. Depois voltar a cozer por mais 10 minutos em água nova e temperada de sal.

 

Escorrer a água e a partir daqui, poderá utilizar as ripas de cardos da forma que mais gostar. Poderá deixar tal qual como estão ou cortar em pedaços de 2, 3, 4 ou mais centímetros.

 

Das variadas aplicações e receitas que se podem fazer com os cardos, vou deixar aqui estas 4 receitas alentejanas. Como digo são tantas as utilizações que lhe poderemos dar, que para falar delas, provavelmente, teria que ser num livro específico ao tema.

 

RECEITAS (As que mais gosto e as mais tradicional do Alentejo – porque existem muitas)

 

SOPA DE FEIJÃO (branco ou vermelho) COM CARDOS

 

1 litro de feijão (branco ou vermelho)

1 dl de azeite

200 gramas de toucinho

1 chouriça

3 molhos de cardos

1 ramo de salsa

2 cebolas

1 cabeça de alhos

2 folhas de louro

1 kg de pão de trigo

0,5 kg de batatas

2 mãos cheias de arroz

Colorau, água e sal QB

 

Coza o feijão com cebola, sal e alho. Numa panela grande coloca, o toucinho, a chouriça e os temperos (salsa, alhos, cebola, tudo bem picado) e junte água da cozedura dos feijões. Quando a chouriça estiver quase cozida, misturam-se os cardos, os feijões, o arroz e por último as batatas cortadas às rodelas.

 

Migam-se sopas de pão duro numa “barranha” e deita-se sobre elas o feijão e o caldo. A chouriça e o toucinho, são servidos numa travessa à parte.

 

Como acompanhamento, uma salada de alface migada bem fina e, umas azeitonas de conserva vão a “calhar”.

 

SOPA DE GRÃO COM CARNE E CARDOS

 

½  kg de grão de bico

2 molhos de cardos

700 gr de carne de borrego

2 ou 3 ossos de porco salgados

2 cebolas

1 molho de salsa

3 batatas

1 molho de hortelã

150 gr de toucinho

1 linguiça

4 a 5 colheres de sopa de azeite

1 kg de pão de trigo

sal e pimenta QB

 

Os grãos ficam de molho de um dia para o outro com água e sal. Vão ao lume com bastante água e deita-se o azeite. Quando estiverem quase cozidos mistura-se a carne, o toucinho, a linguiça, a cebola e a salsa. Deixa-se cozer um bocado e depois misturam-se os cardos e as batatas. Quando estiver tudo bem cozido e muito bem apurado, fica pronto a servir.

 

Migam-se as sopas para uma terrina e deita-se a hortelã partida aos bocados sobre as sopas de pão, deitando-se o caldo para a respectiva terrina. Para acompanhar as sopas deitam-se numa travessa os grãos com os cardos e as batatas.

 

Por último serve-se a carne, que deve ser acompanhada com salada de alface, rábano, azeitonas e vinho, se o houver.

 

SOPA DE CARDOS COM BACALHAU LIMADO

 

1 molho de cardos

2 postas médias de bacalhau

1 dl de azeite

1 molho de coentros

4 dentes de alho

1 colher de sopa de farinha

1 colher de sopa de vinagre

1 folha de louro

1 colher de colorau

pão de trigo duro para sopas

sal QB

 

Partem-se os cardos aos bocados e escaldam-se num tacho. Num outro recipiente coloca-se o azeite com os coentros e alhos (que foram previamente pisados num almofariz) o louro e o colorau. Deixam-se alourar estes elementos, juntando depois o bacalhau e os cardos com a água suficiente para fazer o caldo para a sopa. Rectifica-se de sal caso o bacalhau não tenho o suficiente e deixa-se cozer em lume brando.

 

Por fim acrescenta-se a farinha e o vinagre já diluídos numa polme. Colocam-se as sopas de pão numa terrina, junta-se o caldo. Numa travessa à parte, serve-se o bacalhau e os cardos.

 

CARDOS COM OVOS

 

Depois de ter os cardos preparados, passe-os por um pouco de azeite e junte os ovos batidos. Tempere com uma pitada de sal e pimenta. Mexa para incorporar bem os ovos com os cardos e frigideira com um pouco de margarina ... mas não deixe que os ovos fiquem passados.

 

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Um dedo de culinária - parte II - hora da buxa e as tradicionais beldroegas alentejanas

11.09.18 | Paulo Brites

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Porque a vida não pára e porque sempre foi um dos meus desejos, ter um blog excluisivamente sobre gastronomia. E pronto ... no passado dia 8 resolvi que tinha que nascer esse tal blog! Assim nasceu o https://hora-da-buxa.blogspot.com/ ... é um blog somente dedicado à culinária e a uma das suas disciplinas, a gastronomia. Para quem gosta e quer seguir, deixo já daqui um grande obrigado.

 

Achei que o post que partilhei hoje se enquadrava aqui no Diz à mão para migar as sopas ... eis o motivo da minha repetição. Já publiquei no https://hora-da-buxa.blogspot.com/ mas quero aproveitar este post para informar o nascimento de um novo blog meu. Claro que este vai continuar ... 

 

Mas vamos ao post ... 

 

Muito se pode falar e dizer sobre esta planta. Tanto em termos medicinais como no seu uso culinário. É uma planta selvagem e que em Portugal é bastante consumida, principalmente a sul do tejo. Não existe no norte? Claro que sim! No entanto foram os árabes que a consumiam e introduziram na nossa gastronomia. Uma erva já consumida por eles há muitos milénios. Talvez por isso, seja bastante mais consumida no sul do país.

 

De entre as muitas características medicinais existiu uma que fizeram da beldroega algo de muito importante em determinados momentos históricos. Não irei falar disso, somente faço referência, à sua importância na época dos descobrimentos (um dia abordarei o tema). O combate a um flagelo que atacava as frotas dos descobridores. O escorbuto. Por esse motivo e, embora a sua existência natural “nas américas”, só depois da chegada dos europeus começou a ser consumida.

 

Por cá e porque sou alentejano, é um dos pratos mais característicos destas bandas. É consumida principalmente como um tipo de açorda alentejana. Recentemente começou também a fazer parte de alguns cremes e saladas, mas é na sopa ou açorda que está a sua tradição.

 

Cingindo-me apenas ao “meu Alentejo” e como é apanágio e característico, temos diversas formas de cozinhar a chamada “Açorda de Beldroegas”. Claro que as variações não são consideráveis mas não deixam de o ser. Mostram as diferenças de cada região e a “nossa forma de ser e estar”. Sempre a “dar um toque e a reinventar”. Não quero falar de sociologia e afins, estou aqui somente por uma disciplina da culinária, a gastronomia.  

 

De entre as muitas receitas existentes no meu Alentejo, deixo aqui as mais usadas e as que tenho conhecimento. Caso conheça mais alguma receita, não hesite e partilhe connosco!

 

A MAIS COMUM E A MAIS UTILIZADA E CONHECIDA– 4 Pessoas

1 bom molho de beldroegas

2 cebolas

500 g de batatas

1,5 dl de azeite

1 cabeça de alhos

4 ovos

2 queijos frescos ou de meia cura

Pão alentejano fatiado

 

Preparam-se as beldroegas aproveitando apenas as folhas e as partes mais macias. Cortam-se as cebolas às rodelas e alouram-se com o azeite. Juntam-se as beldroegas lavadas e deixam-se refogar muito bem mexendo com uma colher de pau. Regam-se com cerca de 2 litros de água e deixa-se levantar fervura.

 

Retiram-se as peles brancas à cabeça de alhos, que se introduz inteira no caldo a ferver. Juntam-se as batatas cortadas às rodelas grossas. Tempera-se de sal e deixa-se cozer.

 

Na altura de servir, introduzem-se no caldo os ovos um a um para escalfarem. Por fim os queijos cortados aos quartos.

 

Serve-se numa terrina, com o queijo e os ovos à parte. No prato e numa cama de pão alentejano “migado” em pequenas “sopas” degustasse tal iguaria.

 

REGIÃO DE ESTREMOZ, BORBA E VILA VIÇOSA – 4 Pessoas

1 molho de Beldroegas

4 ovos

2 colheres de sopa de vinagre

Batatas

louro

2 dentes de alho

1/2 cebola

salsa

azeite

 

Numa panela, refogasse os dentes de alho, cebola, salsa picada, a folha de louro, as beldroegas já limpas e sal. Depois de refogadas coloca-se a água e as batatas às rodelas. Deixa-se ferver e coloca-se os ovos para escalfar e 2 colheres de sopa de vinagre. Depois é só deixar cozer os ovos e servir.

 

REGIÃO DE MÉRTOLA

Beldroegas

tomate

alhos

cebola

salsa

azeite

ovos

pão

água

sal

 

Faz-se um refogado com a cebola, alhos, salsa, tomate e azeite. Junta-se água e quando ferver deitam-se as beldroegas. Quando estiverem cozidas (não muito) abrem-se os ovos e introduzem-se. Numa terrina colocam-se as sopas de pão e deita-se por cima o preparado.

Está pronto a servir.

 

CUBA (do baixo Alentejo)

Queijo de ovelha fresco

1 colher (de sobremesa) rasa de pimentão-doce

beldroegas

azeite

cabeça de alho

cebola média picada

batatas

ovos

sal q.b

folha de louro

 

Leva-se a alourar a cebola picada no azeite. Depois da cebola corada adicionam-se as folhas de beldroegas lavadas, o louro, o pimentão-doce e a cabeça de alhos inteiros a que só se retira a pele que os envolve

 

Quando tudo estiver refogado junta-se a água necessária, o queijo partido aos bocados e as batatas cortadas às rodelas. Seguidamente quando as batatas estiverem cozidas abrem-se os ovos e deixa-se cozer no caldo, ou escalfam-se à parte e serve-se imediatamente em tigelas com ovos escalfados por cima.

 

BEJA – 4 Pessoas

1 molho de beldroegas

2 cabeças de alho

4 ovos

4 postas de bacalhau

2 queijos fresco cortado em quartos

azeite e sal QB

pão do dia anterior

 

Faz-se um refogado com os alhos inteiros, as beldroegas, azeite e sal até as beldroegas ficarem brandas. Junta-se a água, quando ferver junta-se o bacalhau e o queijo. Quando tudo estiver quase cozido, escalfam-se os ovos e serve-se com sopas de pão.

 

Como já referi, essas são as variantes que tenho conhecimento. Se conhece mais alguma forma de confeccionar, agradecia a partilha. Afinal os segredos estão nas mãos e não nas receitas.

 

Beijinhos, abraços e bom apetite.

 

O milagre das refeições escolares! Sim, 1,36 euros por “cabeça” …

06.09.18 | Paulo Brites

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Será possível? Quem sabe se é! No entanto mesmo não sendo possível lá terá que ser! Ou quem sabe, até seja possível … já não digo nada! Como somos um país dos milagres, já acredito em tudo!  

 

Quando falo de milagres não me refiro a nossa senhora de Fátima, refiro-me a tantos outros que sucessivamente acontecem neste país.

 

O ano lectivo está a começar, os professores foram colocados. O ministro diz que está tudo sobre rodas. O primeiro-ministro diz que espera uma contra proposta dos sindicatos dos professores … as escolas parecem que têm o staff preenchido e não faltam auxiliares. O nosso Marcelo acredita e pede bom senso. Os professores depois de uma “alegre” espera, ficaram contentes e felizes por irem trabalhar (tirando os que continuam no desemprego), na sua maioria deslocados longe de casa e sem qualquer tipo de ajudas financeiras, claro, não esquecer que há 10 anos que estão congelados. Em contra partida os nossos deputados recebem ajudas de custo de viagens que não fazem … uma maravilha! As escolas em termos de infraestruturas nada temos a assinalar. Os senhores deputados só necessitam da palavra de honra para atestar a sua residência. Os pais e encarregados de educação necessitam apresentar comprovativo de residência e coisa e tal (são uns mentirosos – os pais, não os deputados). Os poucos livros escolares que serão oferecidos parece que a sua distribuição e atribuição está a correr tão bem, que acredito que antes da Páscoa os nossos alunos irão ter os livros … enfim … está tudo tão bem, mas tão bem, que até parece que sou eu e o meu mau feitio que estamos errados!

 

Há já algum tempo que as refeições escolares são alvo de críticas e denuncias. Sim esta “coisa” do almoço das “criancinhas” não tem corrido lá muito bem neste últimos anos!

 

Não conheço muito bem a realidade dos concursos para a sua distribuição mas não deverá ser muito diferente ao que acontece em Reguengos de Monsaraz. Um verdadeiro milagre! O concurso para o fornecimento das refeições escolares em Reguengos de Monsaraz foi adjudicado ontem a uma empresa de catering por 1,36 euros por refeição! Bem … os milagres acontecem!

 

Como dizia o meu professor primário, vamos lá fazer contas …

Os ingredientes base de uma sopa de legumes:

cebolas

dentes de alho

alho-francês

batata

cenouras

abóbora, nabo ou courgettes

uma qualquer verdura

azeite

sal

água

Como prato principal não me irei alongar, somente faço referência a massa ou arroz e, carne ou peixe … deixando de parte por exemplo salada ou qualquer outro acompanhamento.

Arroz ou massa – 50 gramas (cru) para o arroz e aproximadamente 80 a 90 gramas no mínimo, porque o ideal seria entre 100 e 120 gramas para massa.

Carne e peixes – 150 g por pessoa

A isso deveremos juntar 1 fatia de pão e uma peça de fruta …

 

Um verdadeiro milagre! Tudo isso por 1,36 euros … então mas somos todos parvos?

 

Senhores políticos tenham vergonha na cara! É “claro” como a sopa que vão servir aos alunos, que isso não vai correr bem! Deixo aqui o link onde está relatado o teor da reunião da camara municipal e a forma de controlar a qualidade dessas refeições …

 

https://www.facebook.com/notes/psd-reguengos-de-monsaraz/estaremos-muito-atentos-ao-desenrolar-do-ano-letivo-nesta-mat%C3%A9ria-fundamental-qu/2190984677838500/ 

 

E é assim que por cá vamos andando, de milagre em milagre!

 

Beijinhos e abraços e não se esqueçam que todos nós teremos que contribuir para o problema de saúde publica da obesidade! Vá pessoas … vamos todos fazer um esforço e almoçar por 1,36 euros …

 

* foto Google 

Uma fotografia, uma música – parte XV – Maria Bethânia – Tocando em frente

05.09.18 | Paulo Brites

O banco do jardim ...

Nikon D3200, 18-55mm @ 55mm, f/5.6, 1/60s, ISO 400

 

https://www.youtube.com/watch?v=3T1VRhGfEVU 

 

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

 

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

 

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

 

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

 

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

 

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu sou

 

Estrada eu vou

Conhecer as manhas

E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

 

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

 

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora

 

Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

 

Almir Eduardo Melke Sater / Renato Teixeira De Oliveira

Um dedo de culinária - parte I - Camarinhas e a sua geleia extraordinária

04.09.18 | Paulo Brites

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Diz a lenda que são lágrimas da rainha Santa Isabel, que chorando atravessou o pinhal. Provavelmente já passaram por elas em alguma duna, perto de pinheiros e junto ao mar. As camarinhas distribuem-se um pouco por toda a orla costeira na península ibérica. Em Portugal a zona de leiria, costa alentejana e parte do algarve é onde se encontram com alguma frequência, embora seja uma planta em vias de extinção.

 

Só se encontram mesmo junto ao mar, se vamos mais para o interior já não existe. E entre as suas características está a teimosia em se permanecerem selvagens! Nascem e frutificam só onde lhes apetece, sendo impossível semear ou transplantar.

 

As flores surgem de Março a Junho, masculinas e femininas em plantas separadas, mas são tão pequenas que passam quase despercebidas, sendo a sua polinização assegurada pelo vento.

 

De sabor fresco, doce e acídulo, a humilde camarinha presta-se a ser comida assim tal qual existe na natureza (um verdadeiro prazer) ou como uma magnífica geleia agridoce e, ainda é possível acompanhar carnes assadas por exemplo.

 

Confecionar:

Levar ao lume as camarinhas cobertas com água, cozer em lume brando uns 30 minutos.

As bagas brancas tornam-se translúcidas, depois ficam rosadas e por fim rebentam libertando polpa e as sementes escuras.

Passar por um passador de rede, ajudando com uma colher para retirar as sementes e aproveitar bem a polpa.

Pesar o liquido obtido e adicionar 2/3 do peso em açúcar e uma casaca de limão cortada bem fininha.

Levar novamente ao lume com o açúcar e deixar ferver em lume brando até obter um ponto estrada.

Guardar em frascos esterilizados.

 

Tal como todas as geleias, esta pode ser aromatizada de muitas formas diferentes: com casca de laranja, lima, tangerina, com sumo de limão, com gengibre, sálvia, anis, canela, noz moscada, pimenta, etc. Sempre misturadas no momento de adicionar o açúcar.

Se quiser usar com carne, misturar um pouco de vinagre balsâmico.

 

E pronto … bons petiscos! Beijinhos

 

 

O sonho de casar tendo como testemunha um menir, a Rocha dos Namorados

02.09.18 | Paulo Brites

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Calor? Não! Somente estão 36 graus! A esplanada está quase deserta, peço um café e um pastel de nata. Melhor, quero antes um café e uma queijadinha de Évora que estão com um aspeto fantástico. Escolho uma das 3 mesas que têm sombra, afinal os 36 graus, não são muito simpáticos para que possamos escolher uma mesa ao sol.

Uma das coisas que gosto quando estou sozinho sentado numa esplanada é observar as pessoas que circulam por perto. Enumeras vezes, tiro a máquina fotográfica da mochila e entretenho-me a fotografar transeuntes (tenho já uns milhares de registos, mas não digam a ninguém). Gosto de observar a forma como caminham, como se vestem, como conversam, como olham … faço essa observação sem qualquer tipo de avaliação, somente pelo prazer da observação. Claro que nenhuma dessas fotos as torno publicas seja onde for. Mas a verdade é que registar esses olhares e esses momentos simples, puros e genuínos são das coisas melhores de fotografar.

Do nada, surge um casal que para eles os 36 graus alentejanos pouco ou nada importa. Passeiam de mãos dadas e entre 3 passos, mostram o amor que sentem um pelo outro com a troca de alguns afetos simples mas demonstrativos dos seus sentimentos. Mais 3 ou 4 passos e uma nova pausa, desta vez para se sentirem um só com a troca de um beijo.

Não fotografei, não tive reação para isso! Estava demasiado absorvido na observação do amor que eles transmitiam um ao outro. No entanto e nessa sua caminhada um deles viu a minha máquina pousada em cima da mesa e veio ter comigo:

- Olhe, desculpe estar a incomodar mas poderia tirar-nos umas fotos?

- Claro que sim! – respondi eu

- É que casamos ontem e ainda não temos nenhuma foto depois de nos casarmos. Não temos máquina nem telemóveis que tirem fotos.

- Ok sem problema, eu tiro umas fotos e depois envio-lhes. Digam um mail para enviar …

E lá comecei a tirar as fotos aos recém casados. Não sei qual a idade deles mas aparentam ter perto dos 30 anos, felizes e verdadeiramente apaixonados. Conhecem-se desde os 16 anos e resolveram fazer este ano umas férias de bicicleta por Portugal. Saíram de uma pequena cidade do norte de Itália e vieram casar perto de S. Pedro do Corval, Reguengos de Monsaraz, tendo como testemunha um menir, a rocha dos namorados! Sempre foi um desejo deles visitar esse local!

Depois de ter tirados as fotos, fizeram questão de pagar uma cerveja e acabamos por falar pouco mais de 30 minutos, queriam chegar a Beja ao início da noite. Quanto há inexistência de máquina fotográfica ou de qualquer outro equipamento que registe momentos sobre forma de imagem, dizem eles - “Como é a nossa viagem de sonho se tirarmos fotografias não teremos como nos deitar na nossa cama e antes de fazer amor, recordar esta viagem. Por isso tudo ficará registado na nossa memória para a vida toda.”

Pegaram nas suas bicicletas e lá seguiram viagem! Não era um casal heterossexual, era um casal homossexual! Sem dúvida que o amor que têm um pelo outro é enorme. Que sejam felizes e que os vossos sonhos nunca terminem!

Beijinhos e abraços para todos e que, nunca deixem de viver a vossa felicidade, é o melhor que levamos da vida!

PS – Para quem não conhece a Rocha dos Namorados e a sua tradição deixo aqui uma breve descrição:

Trata-se de um menir constituído por um bloco de granito natural, com cerca de mais de dois metros de altura, que apresenta uma forma semelhante à de um cogumelo ou de um útero.

Esta rocha está associado um secular rito pagão de fertilidade, que consiste em: as raparigas em idade de contrair matrimónio, vão consultar a rocha (como se de um oráculo se tratasse), para saberem quanto tempo ainda falta para se efectivar o casamento. Para esse efeito atiram para cima do menir, uma pedra. Se essa pedra não ficar em cima da rocha e cair ao solo, representa que têm de esperar mais um ano para o casamento. Esta consulta à rocha dos namorados, era feita geralmente na Segunda Feira de Páscoa

fonte - https://pt.wikipedia.org/wiki/Rocha_dos_Namorados

 

foto – Site da Camara Municipal de Reguengos de Monsaraz

 

Uma fotografia, uma música – parte XIV – Lou Reed - Perfect Day

02.09.18 | Paulo Brites

DSC_0315-1.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/10, 1/250s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=QYEC4TZsy-Y 

 

Just a perfect day
drink sangria in the park
And then later when it gets dark
we go home

Just a perfect day
feed animals in the zoo
Then later a movie too
and then home

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on

Just a perfect day
problems all left alone
Weekenders on our own
it's such fun

Just a perfect day
you made me forget myself
I thought I was someone else
someone good

Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spent it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
you just keep me hanging on

You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow
You're going to reap just what you sow

Lou Reed - Perfect Day

 

Uma fotografia, uma música – parte XIII - Israel Kamakawiwo'ole - Somewhere Over The Rainbow

01.09.18 | Paulo Brites

DSC_9883-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/8, 1/400s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=w_DKWlrA24k 

 

Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true

Someday, I wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top
That's where you'll find me

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
And the dreams that you dare to
Oh why, oh why can't I?

Well, I see trees of green and red roses too
I'll watch them bloom for me and you
And I think to myself
What a wonderful world

Well, I see skies of blue and I see clouds of white
And the brightness of day
I like the dark
And I think to myself what a wonderful world

The colors of the rainbow so pretty in the sky
And also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands saying
How do you do?
They're really saying I, I love you

I hear babies cry and I watch them grow
They'll learn much more then we'll know
And I think to myself what a wonderful world
World

Someday I wish upon a star
Wake up where the clouds are far behind me
Where trouble melts like lemon drops
High above the chimney top
That's where you'll find me

Oh, somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dare to
Why oh, why can't I?

Israel Kamakawiwo'ole - Somewhere Over The Rainbow