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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Deixa o afeto te afetar

24.12.18 | Paulo Brites

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- Olha querido, passa pelo supermercado e compra fermento em pó. Vou fazer aquele bolo de alface com camarinhas. Aquele que gostas. Lembras-te?

- Sim querida, lembro. Aquele que te tinha pedido para fazeres no meu aniversário, mas que respondes-te: não me apetece fazer nada disso.

- Esse mesmo.

-Ainda bem que o vais fazer hoje.

-Mas querido hoje é Natal.

-Exato, aquele dia em que se come borrego assado, não é?

-Não querido! Isso é na páscoa!

-Hummm … desculpa! Estou a fazer confusão… Que queres que compre mais?

- Não é necessário mais nada … o resto já temos!

- Falas do amor, alegria, paz e sinceridade?

- Sim claro! E olha já agora, passa pela lavandaria e levanta o meu chapéu. Levei para lavar a seco, aquele de abas largas! Lembras? Necessito dele para levar à missa do Galo.

 - Sempre gostei de te ver com esse chapéu querida … ficas mais inteligente!

 

Dia 358 de 2018, dia de Natal, ou melhor, noite de Natal. Aquele dia em que tudo é bonito, tudo é amigo e melhor, tudo é sorrisos … Aquele dia em que as operadoras de telecomunicações oferecem mais 365 mensagens, extra plafond. Aquele dia em que a paz do senhor falecido, senhor Belmiro, é relembrada com camarões, doces, docinhos, champanhe e beijinhos.

Aquele dia em que, se envia uma mensagem de sapatinhos cheios de beijinhos sentidos e que, por momentos, até de nós nos esquecemos. Aquele dia em que a hipocrisia das contradições de nós mesmos, atinge o ponto mais alto dos 365 dias.

 

Aquele dia em que: “desejo um feliz natal” é contraditória às frases e desejos dos dias anteriores.

Aquele dia em que: nos revelamos e até nos contradizemos ao mais alto nível.

Aquele dia em que: nos tronamos absurdos.

Aquele dia em que: parece mal dizer mal, dos que dizem mal, e que mal nos fazem!

 

Mas afinal porque estou eu a escrever essas palavras horas antes da noite de consoada?

 

Porque também eu sou hipócrita. Porque também eu tenho mau feitio. Porque também eu me contradigo entre palavras e ações. Porque também eu tenho uma mascara. Porque também eu sou má pessoa.

 

Tal como o poeta romântico, que criou vários pseudónimos, com esperança que algum deles fosse amado pela sua amada, também eu, tenho 2 caras. Também eu, tenho duas palavras. Também eu faço parte deste grande teatro.

 

No entanto, há uma coisa que nunca tenho: dois sentimentos!

 

Por isso, que me desculpem a minha sinceridade, dentro da sinceridade, de ser sincero comigo! Não desejo feliz natal a ninguém! Desejo muitas outras coisas, mas nunca “feliz natal”.

Desejo felicidade para todos e em todos os dias - isso não é mau feitio, não é nenhum tipo de ressabiamento, não é nada do que as “vossas” cabecinhas cinéfilas estarão a imaginar ou a realizar neste momento!

 

Desejo que, os desejos de hoje, sejam transportados para os restantes 364 dias do ano!   

 

Desejo mais amor, menos guerra, menos ódio. Desejo mais compreensão, menos hostilidade. Desejo mais pasteis de nata, menos laranjas azedas. Desejo mais amizade, menos hipocrisia. Desejo mais ouvidos, menos palavras. Desejo mais sintonia entre o que se pratica e o que se diz. Desejo mais felicidade, em vez de, mal dizeres. Desejo que se façam menos filmes e que se “tirem” mais fotografias. Desejo menos ruido e mais música. Desejo mais rosas e menos espinhos. Desejo mais sintonia entre as palavras e ações. Desejo mais capacidade de reconhecer o outro, não pelos nossos olhos, mas por aquilo que o outro é na verdade. Desejo mais capacidade de analisar o que nos rodeia e menos espelhos de nós próprios. Desejo que as crianças não cresçam. Desejo que os adultos vivam com sorrisos na mão. Desejo muito mais coisas, que não cabem nestas palavras mas sim, que tenham lugar nas nossas ações …

 

Desejo que os 365 dias do ano, sejam, Natal! Desejo que todos vejam a vida, não pelos seus óculos, mas pelos seus olhos e sentimentos! Desejo que o dia de ontem, não nos faça perder a capacidade de ver o dia de hoje … desejo que as amarguras do passado, não nos toldem e que consigamos, viver as alegrias do presente! Só isso! Mais nada!

Uma música e uma fotografia – parte XXII - Mafalda Veiga - Gente Perdida

19.12.18 | Paulo Brites

42511690702_9eddf0f82d_b.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 55mm, f/5.6, 1/80s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=HmMQDuXuNw0 

 

Eu fui devagarinho

Com medo de falhar

Não fosse esse o caminho certo

Para te encontrar

Fui descobrindo devagar

Cada sorriso teu

Fui aprendendo a procurar

Por entre sonhos meus

 

Eu fui assim chegando

Sem entender porquê

Já foram tantas vezes tantas

Assim como esta vez

Mas é mais fundo o teu olhar

Mais do que eu sei dizer

É um abrigo pra voltar

Ou um mar pra me perder

 

Lá fora o vento

Nem sempre sabe a liberdade

A gente finge

Mas sabe o que não é verdade

Foge ao vazio

Enquanto brinda, dança e salta

Eu trago-te comigo

E sinto tanto, tanto a tua falta

 

Eu fui entrando pouco a pouco

Abria a porta e vi

Que havia lume aceso

E um lugar pra mim

Quase me assusta descobrir

Que foi este sabor

Que a vida inteira procurei

Entre a paixão e a dor

 

Lá fora o vento

Nem sempre sabe a liberdade

Gente perdida

Balança entre o sonho e a verdade

Foge ao vazio

Enquanto brinda, dança e salta

Eu trago-te comigo

E sinto tanto, tanto a tua falta

 

Lá for a o vento

Nem sempre sabe a liberdade

Gente perdida

Mas sabe que não é verdade

Foge ao vazio

Enquanto bebe, dança e ri

Eu trago-te comigo

E guardo este abraço só para ti

 

Mafalda Veiga - Gente Perdida

 

Para além da curva da estrada

17.12.18 | Paulo Brites

DSC_1951-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/5.6, 1/125s, ISO 140

 

Para além da curva da estrada

Talvez haja um poço, e talvez um castelo,

E talvez apenas a continuação da estrada.

Não sei nem pergunto.

Enquanto vou na estrada antes da curva

Só olho para a estrada antes da curva,

Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.

De nada me serviria estar olhando para outro lado

E para aquilo que não vejo.

Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.

Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.

Se há alguém para além da curva da estrada,

Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.

Essa é que é a estrada para eles.

Se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.

Por ora só sabemos que lá não estamos.

Aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva

Há a estrada sem curva nenhuma.

 

Para além da curva da estrada - Alberto Caeiro

 

Uma música e uma fotografia – parte XXI - John Lennon - Woman

12.12.18 | Paulo Brites

DSC_1860-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 18mm, f/5.6, 1/125s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=ZhfWiU8wGCc 

 

Woman I can hardly express

My mixed emotions at my thoughtlessness

After all I'm forever in your debt

And woman I will try to express

My inner feelings and thankfulness

For showing me the meaning of success

 

Ooh, well, well

Doo, doo, doo, doo, doo

Ooh, well, well

Doo, doo, doo, doo, doo

 

Woman I know you understand

The little child inside of the man

Please remember my life is in your hands

And woman hold me close to your heart

However distant don't keep us apart

After all it is written in the stars

 

Ooh, well, well

Doo, doo, doo, doo, doo

Ooh, well, well

Doo, doo, doo, doo, doo

Well

 

Woman please let me explain

I never meant to cause you sorrow or pain

So let me tell you again and again and again

 

I love you, yeah, yeah

Now and forever

I love you, yeah, yeah

Now and forever

I love you, yeah, yeah

Now and forever

I love you, yeah, yeah

 

John Lennon - Woman

Uma fotografia e uma música - parte XX - Maria Bethânia - Quem me leva os meus fantasmas

10.12.18 | Paulo Brites

DSC_3473-1-2.jpgNikon D3200, 18-55mm @ 40mm, f/5.3, 1/60s, ISO 450

 

https://www.youtube.com/watch?v=w4ldfmoMoZk 

 

Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam

E nas noites brilhantes as palavras voavam

E eu via que o céu me nascia dos dedos

E a Ursa Maior eram ferros acessos

Marinheiros perdidos em portos distantes

Em bares escondidos em sonhos gigantes

E a cidade vazia da cor do asfalto

E alguém me pedia que cantasse mais alto

 

Quem me leva os meus fantasmas

Quem me salva desta espada

Quem me diz onde é a estrada

Quem me leva os meus fantasmas

Quem me leva os meus fantasmas

Quem me salva desta espada

E me diz onde é a estrada

 

Aquele era o tempo em que as sombras se abriam

Em que homens negavam o que outros erguiam

Eu bebia da vida em goles pequenos

Tropeçava no riso abraçava venenos

De costas voltadas não se vê o futuro

Nem o rumo da bala nem a falha no muro

E alguém me gritava com voz de profeta

Que o caminho se faz entre o alvo e a seta

 

Pedro Abrunhosa – Quem me leva os meus fantasmas

Tu e o teu “teu”!

10.12.18 | Paulo Brites

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Hoje recordei umas palavras escritas por mim há alguns anos atrás. É uma lembrança de um velho, inútil e arquivado blog. Foi o meu primeiro blog! Tinha um nome muito específico e com alguma carga nostálgica -“Debaixo do meu Alpendre”. No entanto, mesmo sendo um blog velho, inútil, não faz dele, algo que já deveria ter morrido! Tem coisas positivas!

 

Fui reler alguns textos que por lá depositei, tal como, quando vamos à velhinha caixa de camisa ou sapatos, onde temos amontoado algumas das nossas velhinhas fotografias e, sem darmos por nós, os cantos da boca, sobem e aproximam-se das orelhas. Olha eu aqui tão janota; é pá, ainda me lembro de ter tirado este retrato; … fogo, já morreste há tantos anos mas ainda me lembro muito bem de ti; E … por aí fora!  

 

São recordações que mesmo as mais tristes, nos fazem sorrir! Mas … também com elas, surgem outros pensamentos; Olha eu aqui tão jovem e ainda cheio de cabelo; Lool … era um puto giro; Fogo como nós mudamos ao longo do tempo ….

 

E sim, é verdade! Vamos caminhando pela vida, vamos sofrendo muitas transformações. Essas caixas de camisa ou de sapatos, somente são um pouco de nós! Somente transmitem o que uma qualquer máquina fotográfica congelou! Nelas não estão: pensamentos, ações, caracter, personalidade … não, não estão! Só e só estão: imagens e recordações.

 

Já um velho blog, um velho diário, um velho caderno ou sebenta, têm outras lembranças! Diferentes, das lembranças do velho conteúdo da caixinha de camisa ou sapatos. Para mim, elas são mais importantes! Têm palavras! Têm pensamentos! Têm comportamentos! Têm personalidade!

 

Se é importante? Vale o que vale! Mas permite que te revejas; Permite que te conheças; permite que te avalies; permite-te num todo, tudo o que és! E quando, reles essas “coisas” e dizes para ti mesmo: Não há contradições no que tu eras e no que tu és! Está igual a ti próprio! Tu és esse… e, isso deixa-me feliz!

 

Isso diz-me que ao longo dos anos, o teu caracter e personalidade não alterou de forma significativa. És fiel a ti mesmo! És fiel aos teus princípios e lealdades! Se há quem não concorde com eles? Claro que há! Seria muito mau, caso não existissem “pessoas” com pensamentos e actos diferentes dos teus! Mas, o que é mau, é quando se diz uma coisa e se pratica outra! O contraditório é uma das melhores “coisas” para que o nosso crescimento, como ser universal, melhore! Mas ele terá que ser positivo!

 

Não sou o mesmo que as imagens da velhinha caixa de camisa mostram! Não, não sou! Mas sou o mesmo que as minhas recordações em termos de palavras transmitem! E isso, é sem dúvida, das coisas que mais gosto de sentir!

 

Isso transmite-me algo muito importante: as minhas palavras correspondem às minhas ações, ao contrário do que, a caixa de camisa contém e mostra! Mostra um ser diferente do ser, que este ser, é hoje!

 

E isso, deixa-me feliz e em paz comigo próprio! Gosto de gostar de ser como sou! Gosto de ler e pensar: Este és tu e, continuas a ser tu!

 

“Ontem numa das minhas diárias viagens entre, Évora e Reguengos de Monsaraz, depois de um dia muito intenso, ouvi um anúncio na rádio que me acompanhava que dizia isso: “… eu tenho 10 maças numa mão e outras 10 maças na outra … o que é que eu tenho? … para uns 20 maças para outros 2 enormes mãos … “. Pois bem, é isso mesmo, todos nós somos diferentes, pensamos de forma diferente e vimos de forma diferente. Olhei para o que me rodeava e a imagem que obtive foi esta fotografia.

 

Hoje continuei a pensar nisso, a ver e a analisar o que me rodeia, o que ouço, o que me dizem, o que pensam as cabeças desse mundo … e cheguei a esta conclusão:

 

Como é boa a vida, como é bom respirar, comer, beber, caminhar, ver, ouvir … como é bom ter consciência que ficar imóvel, isolado, apático, doente, não será razoável nem será a melhor solução! O gosto por tudo isso nunca compensa o sofrimento e o mau estar que se gera, quando pensamos e nos sentimos doentes e descrentes de nós próprios, daquilo que somos, do que queremos …

 

Este por do sol para uns é o fim do dia, o começo de um novo romance com o que vem a seguir, a lua. Para outros é a beleza do inicio da noite, a contemplação da beleza de mim próprio e a alegria de ver a lua e, saber que quem me acompanha é o sol … pensar que o que tenho, com toda a certeza – SÃO DUAS ENORMES MÃOS E NÃO 20 MAÇAS!”

 

A César o que é de César! E que nunca nos venha à lembrança … que deveríamos ter feito isso ou aquilo de outra forma! Nunca! Que a tua paz de espirito, seja sempre feita à tua imagem, às tuas palavras, às tuas crenças! Que digas e que te relembres: Fiz tudo o que poderia e deveria ser feito!

Uma fotografia e uma música - parte XIX - Jorge Palma - A gente vai continuar

04.12.18 | Paulo Brites

DSC_1643-1-2.jpgNikon D3200, 50-200mm @ 55mm, f/7.1, 1/2000s, ISO 280

 

https://www.youtube.com/watch?v=-yffYgrWsVI 

 

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Jorge Palma