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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Acordo Ortográfico ou "Mortográfico"?

20.02.18 | Paulo Brites

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Deu entrada no dia 16 deste mês, na Assembleia da República um projecto ou projeto de Resolução (1340/XIII) para revisão, anulação ou o quer seja do nosso (deles) acordo ortográfico! Esta iniciativa é da autoria de um grupo de trabalho do PCP e dos seus deputados que terá, segundo o site do Parlamento a sua apreciação no dia de amanhã! Para quem já não se recorda, o dito AO foi aprovado por todas as forças politicas exceto ou excepto a abstenção do Partido Comunista Português!

Utilizando um “termo” da autoria do ex ministro Bagão Felix no blog https://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia do jornal Publico a que lhe chamou “Acordo Mortográfico” com o qual me identifico na totalidade, não resisto e, partilho aqui no Diz à Mãe para migar as sopas … a analise feita a um texto já bastante batido mas que não deixa de ser bem exemplificativo dos “efeitos secundários” que tal “coisa” inventada em 1990 deveria de fato ou facto ser de imediato revisto como propõe o PCP …

Então cá vai …

 

“(…) Com base nesta amálgama ortográfica, no que leio e no que até já vi ensinado (!), ficcionei um texto-caricatura para ilustrar este absurdo na nossa língua escrita. A bold assinalei as aberrações endógenas e toda a gama de facultatividades do AO e, em itálico, realcei erros resultantes da total confusão do “pós-acordismo” e todos os dias vistos nos jornais e televisões. Ei-lo:

receção do hotel estava cheia e o recetor não tinha mãos a medir. Agora que a recessão já não é um fato, ninguém para o turismo. A fila era de egípcios do Egito que não têm o “p” no nome do país porque lhes disseram que a concessão do visto dependia da conceção do mesmo. Entre eles, alguns eram cristãos coptas, perdão cotas.

O hotel tinha dois restaurantes tão suntuosos quanto untuosos: o cor-de-rosa e o cor de laranja (este sem direito a hífens), porque o diretor mandou adotar o AO. Quer dizer, foi uma adoção sem adoçar o citrino. Os coutentes não ficaram contentes.

Um dos egípcios (um ator atormentado) perguntou se havia produtos lácteos dos nossos laticínios. Tudo isto por causa de um “c” que tanto faz parte, como não faz parte do leite.

Outro dos turistas que se havia zangado quis retratar-se e, para isso, resolveu retratar os amigos com uma “selfie”. Um outro rececionista (semi-interno e semiletrado) e que mais parecia um espetador, distraiu-se e picou-se num cato que, esse sim, era um doloroso espetador. Ficou com as calças semirrotas que lhe levariam parte do salário semilíquido.

Outro, por acaso um cocomandante – que tinha sido corréu porque correu no Cairo que era corruto – estava com um problema ótico e queria um médico. Tinha uma infeção que, mesmo sem o “c”, teimava em ser infecciosa. Foi-lhe sugerido ir a um hospital. O turista lá foi e, num dos corredores em forma de semirreta onde cruzou com um marreta, depois de passar pelas zonas infantojuvenil e materno-infantil (outra vez os hífens…), viu uma seta para a esquerda com “doenças óticas” e outra para a direita também com “doenças óticas”. Coisas de arquitetos ou arquitetas. Baralhado, virou para a direita. Foi visto por um oftalmologista quando precisava de um otorrino para o ouvido. Lá está: caiu o “p” ocular, que já tinha sido dispensado no auricular!”. O melhor é o míope ser surdo e vice-versa.

Por causa do facto transformado erradamente em fato, aumentou a gama dos fatos: há o fato tributário que assenta que nem uma luva. Há a união de fato mesmo que sem ele. Há o fato consumado que leva a que a Crimeia seja russa de fato. Os turistas ficaram encantados com tantos fatos no Verão.

Entretanto, foi desligado o interrutor do elevador porque precisava de uma interrupção para uma inspeção.

diretor do hotel, preocupado, fez uma reunião e ficou de elaborar uma ata que nem ata nem desata. É que o seu corretor ortográfico também não ajudou e por isso pensou pedir ajuda a um amigo corretor da Bolsa. Acontece que, mesmo com tato, não encontrou logo o contato dele. Quando o conseguiu, o corretor ficou zangado dizendo-lhe “eu cá não me pelo pelo pelo de quem para para desistir”. Houve uma grande deceção na secção e, perentoriamente, falou-se numa rutura. No fim, porém, feita a arimética das contas, tudo acabou num pato de afetos.”

https://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2018/02/19/o-acordo-mortografico-na-ar

 

E é assim … há quem diga e defenda que a evolução de uma língua "deva" (de dever e não de dívida)  ser feita (substantivo feminino) por decreto, o problema é que quem decreta nada percebe da “língua” …

 

Beijinhos …

 

* Imagem ciberduvidas.iscte-iul.pt

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