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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Afinal qual é a novidade em Pedrogão Grande? Corrupção? A novidade era se não houvesse!

23.08.18 | Paulo Brites

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Não sou muito de publicar textos na integra que não sejam meus, já o fiz por 3 vezes, sim já por 3 vezes publiquei textos que me chamaram a atenção por este ou por aquele motivo. Claro que sempre com as devidas citações do seu autor. Um foi um texto de uma amiga, sobre a falta de respeito e a total conivência dos nossos políticos e autoridades face ao plantio intensivo de oliveiras no Alentejo e a forma como estão a ser realizadas e fiscalizadas. Um outro texto que partilhei na integra foi de uma colega de Blog e sobre uma aventura no masterchef. Como infelizmente fiz parte dessa aventura e, o texto relatava com muita classe os acontecimentos que se passaram e que foram por mim vividos, por isso publiquei. O 3º texto foi um artigo de opinião do ex candidato a presidente de república Paulo Morais. Foi um texto completíssimo sobre as cunhas e os amigos na politica, esposas, maridos, filhos, sobrinhos … enfim o compadrio normal dos nossos governantes.

 

Diz o povo que não há 2 sem 3. Neste caso direi que não há 3 sem 4 e vou publicar na integra um belo texto em que de uma forma direta, simples e muito bem escrita, relata o que se passa em Pedrogão Grande. O texto é de Zé Pedro Silva e daqui lhe envio um abraço de parabéns pelas palavras que escreveu!

 

E pronto é isso! Beijinhos a todos …

   

“Estou a tentar ficar chocado com a reportagem da TVI sobre Pedrógão mas não consigo. Aquilo não me consegue surpreender. Aquilo somos nós. Estamos nas redes sociais a dizer “ah, pois, como é que é possível, nem acredito”, mas depois estamos à espera que um táxi nos bata por trás para podermos consertar a grelha da frente.

 

A esmagadora maioria das pessoas que está chocada faria o mesmo. Seria cúmplice. Mudava a morada. Arranjava o galinheiro. Eu disse galinheiro? Queria dizer habitação própria permanente. Desculpem. Não vale a pena armarmo-nos em finlandeses, porque eles são todos altíssimos.

 

A culpa, porém, não é das pessoas, porque as pessoas, as mesmas pessoas, funcionam bem noutras paragens. A culpa é do Estado, que é um complicado que complica. Podia ser um complicado que não fazia nada. São os melhores complicados.

 

Portugal, do ponto de vista administrativo, só sabe atirar com milhões e formulários. Quando há um problema - que geralmente também é responsabilidade do Estado - manda-se milhões de euros e de formulários para preencher. Agora ardeu Monchique e o ministro já disse que já chegaram os milhões aos agricultores. Lá está, os milhões. Sempre os milhões. Também já devem ter ido os formulários. Depois é evidente que aquele tractor que não funcionava vai por magia e retroactivamente passar a funcionar como novo. E acho bem que o senhor agricultor meta o tractor que era sucata a funcionar, no tal formulário. O agricultor ao lado não mete o tractor porque é muito sério e acha que não é correcto estar a dizer que o tractor não funcionava. Já agora também pode pagar uma contribuição ao Estado por lhe ter incinerado a sucata.

 

Não sei o que se passou em Pedrógão, mas calculo que não tenha sido nada de especial e de inédito. Pessoas que conhecem pessoas meteram cunhas. Aldrabaram-se formulários. Ninguém sabe dos milhões. Onde é que está a notícia? Digam-me, onde é que está a notícia e como é que se conseguiram escandalizar com isto?” - Zé Pedro Silva

 

* Foto DN

 

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