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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Estamos a perder a nossa história, a nossa cultura, o nosso património … estamos a ficar um povo castrado!

01.09.19 | Paulo Brites

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A Constituição da República Portuguesa atribui ao Estado a tarefa fundamental de proteger e valorizar o património do povo português. É ao Estado numa primeira instancia que recai essa responsabilidade.

Mas, também é ao Estado que a constituição da República Portuguesa lhe atribui muitas outras funções. Estado este, que como tudo que está à sua guarda e responsabilidade, simplesmente as ignora e, quando, por qualquer motivo é confrontado com essa realidade, pura e simplesmente “rodeia” as questões.

Se o património é cultural, passa a “bola” para as autarquias. Se o património é ambiental, passa a “bola” para o cidadão. Se o património é rústico, tenta junto dos seus amigos, alguém que o recupere e o mantenha, claro com uns dinheirinhos do Estado para ajudar as despesas de representação, enquanto se fazem e refazem as ideias e os projetos …  Se o património é religioso, passa a “bola” para as fábricas da Igreja. Se o património é desportivo, primeiro tem que ouvir o Benfica.

Depois, temos umas “coisitas” a que deram a sigla de “POLIS” e toma! Sr. Autarca aqui tem uma ferramenta para trabalhar …

Depois, criam-se grupos de trabalho em que as qualificações começam: Ser do nosso partido politico, não ser contra nós, ser amigo e não ter tendência para criatividade e acima de tudo, não ter opinião própria e não ser critico. Blá … blá … blá … se for bom profissional, isso pouco importa! Aliás de uma forma geral, a capacidade técnica e conhecimento, é o que menos importa aquando da seleção dos profissionais para executar tão importantes projetos.

Depois, temos por aí uns “teimosos” que se vão juntando, criam umas associações, lutam tipo D. Quixote e que em alguns casos, vencem a batalha dos moinhos com muita qualidade. Fazem e desenvolvem um belíssimo trabalho. São convidados, como forma de reconhecimento, a umas palestras nas universidades Portuguesas …

E assim vamos andando! O resultado disso tudo está à vista de todos! Temos um País em ruinas! Quer patrimonial, cultural, social e mais outros “ales” … No entanto, somos Reis e Capitais de tudo! Apostamos no turismo mediático, mas não no património!

As nossas estradas estão num estado lastimável. Construímos rotundas com obras de arte, mas não cortamos o pasto ao seu redor.  Temos os centros urbanos despromovidos de vida! Tudo está ao abandono! Os nossos povoados, em alguns casos, darão um excelente cenário para documentários ou filmes que retratem a história ou mesmo terror!

Temos castelos que são um habitat ideal para a manutenção de ervas e figueiras. Temos Igrejas e Catedrais quase em ruinas. Conventos são abrigos de ratos, baratas e outras espécies animais.

Não pensamos nem estruturamos as nossas cidades. Destroem-se vestígios com milhares de anos, para plantar oliveiras …

Somente tratamos bem as publicações nas redes sociais a dizer: Venha visitar-nos!

Culturalmente somos um povo violado e castrado. Não nos é permitido viajar, os euros não chegam! Como prova dessa castração, dou o exemplo rude e pequeno que o nosso Primeiro-Ministro deu aquando da notícia do passe único: “Agora já podem ir a Setúbal comer um choco frito, a Sintra uma queijadinha e a Cascais uma geladinho”. Haverá melhor exemplo de pobreza de espirito que esta frase?

Estamos a perder a nossa história, a nossa cultura, o nosso património … estamos a ficar um povo castrado!  

Ao lado, por terras ibéricas, eles não brincam! Os povoados têm vida! Têm história! Têm tradição! Têm a sua cultura! Certo que têm beatas e lixo no chão, mas para que nos serve isso, se o resto está a morrer?

 

Beijinhos