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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

O tempo, as análises e os balanços ...

26.12.17 | Paulo Brites

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Agora que se aproxima mais um final de ano por norma dizemos que é tempo de balanço, é tempo de análise, é tempo de novos objetivos e novas metas para o ano que se avizinha. Enfim … é tempo de analisar de alguma forma os meses que passamos. Vamos vivendo o nosso “tempo” e damos por nós a dizer: já passou outro Natal, já passou outro ano, já passou outro aniversário …

Na verdade vivemos o ano a pensar, nunca mais é sexta-feira, depois, o fim-de-semana já lá vai e amanhã já é outra vez segunda … estou saturado (a) do frio, do calor … tenho saudades do verão, do inverno … nunca mais chega o fim do mês … as férias que nunca mais chegam … enfim é assim que o “tempo” vai passando.

A perceção do “tempo” é acima de tudo sensorial, essa perceção é estabelecida a partir dos nossos sentidos, é acima de tudo psicológica. Existem momentos em que minutos parecem horas e horas dias, determinados eventos dão a sensação de ocorrerem de uma forma rápida como outros transcorrem de forma bastante lenta. Existe neste processo sempre algo de inconsciente …

Mas afinal o que é o tempo, o seu valor ou para que serve? Para mim o “tempo” é sem margem de dúvida a utilização que fazemos dele sendo certo que a noção de tempo é o ordenar e reconhecer as ocorrências dos eventos percebidos pelos nossos sentidos, por isto será sempre uma total perda de” tempo” olhar para trás!

Quando começamos a fazer o balanço do ano é sempre mau sinal. Nunca ou raramente se atinge os objetivos pré-definidos. É sinal que talvez o nosso ano não tenha sido o melhor. Provavelmente deixamos para trás “coisas” e “momentos” que queríamos ter tido … que não os vivemos da melhor forma ou que por isso ou por aquilo, não foram as nossas melhores opções ou mesmo porque, queremos reviver acontecimentos ou não nos conseguimos desligar deles, mesmo sabendo que os mesmos são irrepetíveis.

Gosto de ir ao passado não para fazer um balanço, mas porque sempre ficou qualquer coisa para trás. Um projeto iniciado que por qualquer motivo foi abandonado ou mesmo porque teve que ser interrompido. Gosto de ir ao passado rever alguns momentos felizes que ficaram na memória … gosto de ir ao passado relembrar quem me acompanhou para saber com quem poderei contar no futuro … mas nunca regresso ao passado com nostalgia, nunca regresso ao passado na esperança de que alguma coisa que nos aconteceu se poderá reviver e ou voltar a ter! Nunca! O que passou teve o seu tempo, teve a sua oportunidade e acima de tudo teve a sua forma e conteúdo, coisas que será impossível alterar, reviver ou ainda o mais estupido, voltar a ter! A fotografia que tirei ontem nunca mais a irei poder tirar! O cigarro que já fumei será impossível voltar a fumar … o vinho que bebi não o poderei voltar a beber … o “amor” que tive nunca se poderá voltar a ter … é assim a vida! Tal como a água do rio que não passa duas vezes pela mesma ponte, também o que se viveu não se volta a viver.

Por isso é importante nunca nos esquecer da importância e do valor do tempo, acima de tudo, saber o seu significado nas mais diversas vertentes … como dizia Vitor Hugo “A vida já é curta, mas nós tornamo-la ainda mais curta, desperdiçando tempo.” Portanto fazer esses balanços da vida e se os mesmos forem realizados de forma nostálgica, são na sua maioria das vezes uma total perda de tempo.

Mais importante do que contar o “tempo” pelo contador chamado relógio ou calendário, é sentir e perceber o seu valor! Para se perceber o valor de um ano, pergunte-se a um estudante que repetiu de ano. Para se perceber o valor de um mês, pergunte-se a uma mãe que prematuramente teve o seu filho. Para se perceber o valor de uma semana, pergunte-se a um editor de uma revista semanal. Para se perceber o valor de uma hora, pergunte-se a um casal de namorados que estão esperando para se encontrar. Para se perceber o valor de um minuto, pergunte-se a alguém que perdeu o avião ou o autocarro. Para perceber o valor de um segundo, pergunte-se a alguém que evitou um acidente. Para se perceber o valor de um milésimo de segundo, pergunte-se a alguém que conquistou uma medalha de ouro nuns Jogos Olímpicos … por ai fora!

 

Sejamos felizes e não se perca tempo com o tempo que já passou e se aproveite da melhor forma, o tempo que está para vir! Assim se queira …

 

Beijinhos

 

* foto Net