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Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Olivais de Pisões ... e a incompetência total!

05.02.18 | Paulo Brites

Pisões.jpg

 

36 de Janeiro de 2018, depois de ler um artigo do Diário do Alentejo, escrito hoje ou pelo menos publicado hoje no facebook (infelizmente nem assinado está mas isso são outros quinhentos) só tenho uma palavra para descrever tamanhas barbaridades … que estupidez!

Tentei de uma forma simples e superficial saber um pouco mais das “leis” deste país … e claro que embora eu tenha conhecimento que para perceber um pouco dessas coisas das “leis” é necessário, sei lá, ir para a faculdade de direito tirar a licenciatura, depois o mestrado e só passados 30 anos de estágios profissionais se consegue lá chegar e ter condições para perceber um pouco dessas coisas feitas nos gabinetes, por pessoas que acreditam que se plantarmos sardinhas nasce o mar … para não dizer que para eles um montado é o mesmo que uma floresta de salsa ou coentros! Claro está que nesta minha pesquisa e, tal como pensava … não consegui perceber nada!

Tendo por base o artigo do Diário do Alentejo, vamos lá a isso …

Diz o senhor Joaquim Andrade (empresário na área), que planta olivais desde 2002 e que, até hoje, nunca necessitou de pedir licenciamento nem quando apresentou projectos a financiamentos comunitários … cumpre a lei e diz que o processo para instalação de olival é simples … “Depois de instalado no terreno, é apenas obrigatório a apresentação do cadastro das parcelas (P3), junto do IFAP – Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, onde se informa, anualmente e até abril de cada ano, o Ministério da Agricultura sobre a alteração do uso dos solos.” – Pergunto eu? Mas afinal não é necessário saber para onde e como se gasta a água da barragem de Alqueva?

Mas vamos lá continuar … “Contactado José Velez, diretor regional adjunto da Agricultura e Pescas do Alentejo, confirmou que, dependendo do tipo de culturas que já estão instaladas no terreno, haverá lugar ou não à necessidade de informar (inclusivamente algumas necessitam de autorização) os serviços do ministério sobre a sua alteração. Contudo, há que obedecer a determinados pressupostos técnicos, relativos às operações no terreno. Também explicou que a instalação de determinadas culturas deve ser comunicada antes aos serviços, nomeadamente a plantação de trigo, mas não a de olival” – Portanto para semear uma seara de trigo é necessário autorização … coisa esperta esta!

Fazendo fé neste artigo do “Diário do Alentejo” e tendo em conta que este tal senhor José Velez é somente diretor regional adjunto da Agricultura e Pescas do Alentejo, diz mais á frente:

“Apesar de não conhecer este caso concreto” (falamos dos Olivais de Pisões onde foram destruídas umas importantes ruinas romanas que ele não sabe … não conhece … nunca ouviu falar)  “e de não o querer comentar, salienta que quem vai plantar um olival, cujo investimento é grande, não pode alegar desconhecimento, porque tem que saber exatamente como o vai fazer” … mas afinal o que diz a lei? Mas existe lei???

Há mais de uma década que se está a plantar olivais de regadio e o mesmo senhor José Velez diz …  “Este tipo de procedimentos está a ser estudado e analisado pelo ministério” … hummm a coisa não está fácil! Um Olival desses tem em média 20 a 25 anos de vida … acredito que o ministério da agricultura ainda vai conseguir terminal a sua análise antes de 2094 … existem coisas que necessitam mesmo de estudos bem apurados e a rapidez é inimiga da perfeição já diz o povo … até lá e, utilizando uma frase do dito senhor  “o bom senso deveria imperar”... muito bem senhor director adjunto, fico muito feliz com esta sua opinião … sei lá … deixa-me a pensar que afinal eu tinha razão quando era criança e pensava que vivia no mundo da Alice!

Mas afinal o que é que vossa excelência faz? Afinal quais são as suas funções?

Depois … o mesmo Diário do Alentejo contactou o sr. Luís Miranda, vereador da Câmara de Beja, que disse “…a autarquia só faz licenciamento quando há lugar a abate de sobreiros ou azinheiras, algo que aqui não terá acontecido.” Então neste caso porque se é obrigado a consultar o PDM????? Pois porque essa consulta é obrigatória no caso de alteração de utilização de terrenos …

Finalmente diz o arqueólogo Marco Valente (primeiro subscritor da petição para o estabelecimento do Plano Arqueológico Nacional) “Há novos sítios arqueológicos destruídos todos os dias, pois os prevaricadores fazem-no a coberto da impunidade com que o sistema lida com todas estas situações”.

Muito bem …  ou sou eu que sou completamente estupido … ou então … vou mesmo ter que ir para a faculdade, não para a de direito mas para uma qualquer que coiso e tal, me permita fazer uma autoanalise para saber se sou eu de facto que sou o estupido ou não!

E pronto de desculpa em desculpa … de estupidez em estupidez … lá se vai “andando” por este país fora, preparado e esperançoso que ainda em vida eu possa ter conhecimento da analise e estudo dos diversos ministérios (ministeriais) e ainda mais importante … saber o que faz um Diretor Regional Adjunto da Agricultura e Pescas do Alentejo ...

 

Beijinhos …

 

Link do artigo - https://www.facebook.com/diariodoalentejo/posts/1627878847304255