Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diz à mãe para migar as sopas ...

Diz à mãe para migar as sopas ...

Uma fotografia e uma música – parte XVII – Maria Bethânia ...

23.09.18 | Paulo Brites

DSC_2576-1.jpg

Nikon D3200, 18-55mm @ 35mm, f/5.6, 1/40s, ISO 100

 

https://www.youtube.com/watch?v=Zi2cb9cK4M8 

 

Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos tupis,

Sou tupinambá, tenho os erês, caboclo boiadeiro,

Mãos de cura, morubichabas, cocares, Zarabatanas,curares, flechas e altares.

À velocidade da luz, o escuro da mata escura, o breu o silêncio a espera.

Eu tenho Jesus, Maria e José, e todos os pajés em minha companhia,

O Menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou.

 

Não mexe comigo, que eu não ando só,

Eu não ando só, eu não ando só.

Não mexe não!

 

Não misturo, não me dobro.

A rainha do mar anda de mãos dadas comigo,

Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim.

É do ouro de Oxum que é feita a armadura que cobre meu corpo,

Garante meu sangue, minha garganta.

O veneno do mal não acha passagem

E em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o Caminho.

Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã, giro o mundo, viro, reviro.

Tô no recôncavo, tô em Fez.

Voo entre as estrelas, brinco de ser uma, traço o cruzeiro do sul com a tocha da fogueira de João menino, rezo com as três Marias, vou além, me recolho no esplendor das nebulosas, descanso nos vales, montanhas, durmo na forja de Ogum, mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de Xangô.

 

Não ando no breu, nem ando na treva

Não ando no breu, nem ando na treva

É por onde eu vou, que o santo me leva

É por onde eu vou, que o santo me leva

 

Não ando no breu, nem ando na treva

Não ando no breu, nem ando na treva

É por onde eu vou, que o santo me leva

É por onde eu vou, que o santo me leva

 

Medo não me alcança.

No deserto me acho, faço cobra morder o rabo, escorpião virar pirilampo.

Meus pés recebem bálsamos, unguentos suaves das mãos de Maria

Irmã de Marta e Lázaro, no Oásis de Bethânia.

Pensou que eu ando só? Atente ao tempo. Não começa, não termina, é nunca é sempre.

É tempo de reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra, fulmina o injusto e deixa nua a Justiça.

 

Eu não provo do teu fel, não piso no teu chão,

E pra onde você for, não leva o meu nome não

E pra onde você for, não leva o meu nome não

 

Eu não provo do teu fel, não piso no teu chão,

E pra onde você for, não leva o meu nome não

E pra onde você for, não leva o meu nome não

  

Onde vai valente?

Você secou, seus olhos insones secaram, não veem brotar a relva que cresce livre e verde longe da tua cegueira.

Teus ouvidos se fecharam à todo som, qualquer música, nem o bem, nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe.

Você pisa na terra mas não sente, apenas pisa.

Apenas vaga sobre o planeta, e já nem ouve as teclas do teu piano.

Você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona, não tem alma.

Você é o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.

 

O que é teu já tá guardado.

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar.

 

O que é teu já tá guardado.

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar,

Não sou eu quem vou lhe dar.

 

Eu posso engolir você, só pra cuspir depois.

Minha fome é matéria que você não alcança.

Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem fim dos versos, versos, versos, que brotam do poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi.

se choro, quando choro, é regar o capim que alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes que você secou.

Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio.

Eu ando de cara pra o vento na chuva, e quero me molhar.

O terço de Fátima e o cordão de Gandhi, cruzam o meu peito.

Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, nenhuma espada corta.

 

Não mexe comigo, que eu não ando só

Eu não ando só, que eu não ando só

Não mexe não!